Comando pede cavalaria para conter violência na Pampulha

Tenente-coronel aposta na presença dos militares a cavalo para intimidar ação de criminosos

iG Minas Gerais | jhonny cazetta |

Dona Clara.Moradores reclamam que ruas escuras e sem policiamento favorecem ação dos criminosos
Lincon Zarbietti / O Tempo
Dona Clara.Moradores reclamam que ruas escuras e sem policiamento favorecem ação dos criminosos

Apesar da fama de tranquilidade, o crescimento da violência de bairros nos arredores do Aeroporto da Pampulha, como Dona Clara, Jaraguá e São Luiz, tem tirado o sono dos moradores. Somente nos três primeiros meses deste ano, o registro de crimes violentos cresceu 12% nos dez bairros das adjacências do aeroporto, na comparação com o mesmo período do ano passado. Diante do dado, o comando local da Polícia Militar pediu, na última sexta-feira, a presença da cavalaria do órgão em ruas e avenidas da região. A solicitação foi feita em caráter de urgência.  

Conforme os militares, os números ficam ainda mais alarmantes se for levada em consideração a comparação entre os três primeiros meses de 2012 e o ano passado, o que corresponde um aumento de 25%. “Essa situação preocupa, sim. Cerca de 48% dessas infrações são de assaltos a pedestres. Temos registros de roubos a casas, arrombamentos e furtos de veículos. Mas não estamos medindo esforços para combater esse índice, o mais urgente possível”, afirmou o comandante de policiamento da região, tenente-coronel José Carlos Felício.

Em uma das principais avenidas da região, a Sebastião de Brito, no bairro Dona Clara, muitos moradores optaram por não sair durante a noite. “Antigamente, você via muita gente caminhando por aqui. Isso acabou. Eu mesma era uma delas, mas depois de três assaltos, parei. É como se estivéssemos em um toque de recolher, feito por essa insegurança”, contou uma dentista de 43 anos que pediu para não ser identificada.

Com o pouco movimento de pessoas, o comércio também está sendo afetado, e os estabelecimentos estão fechando cada vez mais cedo. “Antigamente, fechávamos às 22h, mas desde o ano passado, passamos para 21h. Agora, estamos estudando fechar às 20h ou 19h, pois só neste ano já foram quatro assaltos”, disse Ana Teixeira, 26, gerente de uma padaria.

No bairro Universitário, no mês passado, um assalto terminou na morte do técnico em segurança do trabalho Lucas Henrique Silva e Souza, 26. “Ele nem reagiu e suplicou por sua vida, antes de ser assassinado a facadas. Ele deixou uma filha recém-nascida, e sua morte foi um duro golpe para todos”, relembrou Celso Teixeira, tio da vítima.

Audiência. Uma audiência pública foi realizada por deputados estaduais na última semana para discutir a criminalidade na região. Por volta das 19h, durante o encontro que era realizado na avenida Sebastião Brito, uma mulher apareceu no local pedindo ajuda aos policiais militares presentes. Chorando e tremendo, ela contou que havia sido assaltada minutos antes.

“Isso ilustra o que estamos vivendo e o motivo de termos pedido essa reunião. Ninguém mais aguenta isso. Conheço gente que quase não dorme mais”, afirmou a presidente de uma das associações de moradores da região, Walewska Abrantes.

Região

Bairros. São dez bairros que formam a região do entorno do aeroporto. São eles: Dona Clara, Aeroporto, Indaiá, Jaraguá, Liberdade, Santa Rosa, São Francisco, São Luiz, Suzana e Universitário.

Relembre casos de repercussão

Estupros.  Em 29 de outubro do ano passado, o assistente administrativo Marcel Barbosa dos Santos, 30, conhecido como “Tarado do Dona Clara”, foi detido.

Aeroporto. O homem é suspeito de estuprar ao menos 12 mulheres em ruas da região. Ele chegou a confessar alguns dos crimes. A maioria das vítimas de Santos eram adolescentes. 0 Em julho do ano passado, cinco homens entraram no aeroporto da Pampulha fortemente armados e assaltaram a companhia Azul Linhas Aéreas. Eles renderam e fizeram reféns os funcionários da empresa. O grupo fugiu levando um cofre com R$ 6.000. Na ocasião, três pessoas chegaram a ser presas.

Autorizado Reforço. O assessor de comunicação da PM, tenente-coronel Alberto Luiz, informou, na noite dessa segunda, que o comando de policiamento especial da capital já aprovou o pedido da cavalaria em bairros nos arredores do aeroporto. Em breve. Segundo ele, a ação deve começar nos próximos dias. “Ela só não foi realizada ainda por conta de protestos que estão ocorrendo na cidade”, disse. O número de policiais que atenderão a região ainda “está sendo analisado”.

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