Afirmação de Lula rende críticas

iG Minas Gerais |

Lula disse que o julgamento foi um “massacre” para acabar com o PT
MARCIO FERNANDES - 1.4.2013
Lula disse que o julgamento foi um “massacre” para acabar com o PT

A avaliação feita pelo ex-presidente Lula, de que o julgamento do mensalão teve “80% de decisão política” gerou ontem repercussões na área jurídica e política. Brasília.  

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, divulgou nota dizendo que os comentários de Lula revelam a dificuldade dele em compreender o papel do Judiciário em uma democracia.

“O juízo de valor emitido pelo ex-Chefe de Estado não encontra qualquer respaldo na realidade e revela pura e simplesmente sua dificuldade em compreender o extraordinário papel reservado a um Judiciário independente em uma democracia verdadeiramente digna desse nome”, diz o texto.

O ministro lamentou que as críticas tenham sido feitas no exterior.

“Lamento profundamente que um ex-presidente da República tenha escolhido um órgão da imprensa estrangeira para questionar a lisura do trabalho realizado pelos membros da mais alta Corte da Justiça do país”. Para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello, a declaração de Lula é um “troço de doido”.

“Não sei como ele tarifou, como fez essa medição. Qual aparelho permite isso? É um troço de doido”, disse.

Já O procurador geral, Rodrigo Janot, disse que o ex-presidente tem o direito de criticar, mas ressaltou que o caso está concluído.

“A ação penal 470, que tramitou perante a Corte mais alta do país, está encerrada, com o julgamento claro, objetivo, transparente, respeitado o contraditório e o amplo direito de defesa”.

Nome do PSDB para o Planalto, o senador Aécio Neves (MG) destacou que a declaração “não engrandece o currículo de Lula”. “Pela importância do cargo que ocupou, ele deveria ser o primeiro a zelar pelo respeito às nossas instituições. Foi uma declaração infeliz”, afirmou.

Outro pré-candidato à Presidência, Eduardo Campos (PSB), ressaltou que “as decisões do STF devem ser cumpridas, não discutidas”.

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