Lula: guarde bem esse nome

iG Minas Gerais |

Será mesmo que o PT está ensaiando antecipar seu projeto de 2018 em quatro anos? Será que essa história de ter um Pelé no banco de reservas passa a ser levada a sério? Afinal, o que há de palpável no “volta, Lula”? Os rumores crescem na imprensa e no que conta gente que frequenta as cozinhas dos poderosos. E quando as referências aumentam como fumaça é porque existe fogo ou é porque a fumaça, como pretexto pronto, pode incentivar algum piromaníaco de plantão. Lula tem rodado o exterior, e, nesse fim de semana, apareceu a entrevista que concedeu à televisão portuguesa. Pela primeira vez, deu sua opinião sobre o julgamento do mensalão e repisou a fantasia coletiva que povoa as mentes conspiratórias de seu círculo. Ele não parece recolhido como antes, mas, a princípio, atua publicamente mais no exterior do que aqui. À parte as crises de tonteira (não foi o caso na entrevista à RTP), a saúde parece boa, assim como o prestígio. Segundo os dois principais institutos de pesquisa, Lula é citado pelo eleitor como o mais capaz de melhorar o país, mais do que Dilma ou qualquer um dos pré-candidatos postos até agora. Além disso, há que se considerar a queda de popularidade da presidente, criatura do criador, e do governo dela. Desde o fim do ano passado, a aprovação à gestão caiu sete pontos, o que também puxa para baixo as intenções de voto à natural pré-candidata à reeleição. A revelação do negócio “da China” feito pela Petrobras à época em que Dilma presidia seu conselho administrativo contribuiu para esse revés. E qual é a chance de as curvas voltarem a assumir uma tendência ascendente no contexto de uma tumultuada Copa do Mundo? Dilma passa longe de ser uma unanimidade no PT, e isso desde 2010. Entre os aliados então, como o PMDB, a reclamação sempre foi constante (como o Temer tem trabalho!). E entre os empresários, os grandes financiadores de campanha, será que eles preferem Dilma ou Lula? Perguntando de outra forma: em qual dos dois governos eles mais ganharam dinheiro? O PT tem um projeto de poder em curso, e ele tem que ser tocado independentemente de quem seja o capitão. Veja o caso de Zé Dirceu, que, de uma espécie informal de primeiro-ministro, hoje é tachado de gente que não é “da minha confiança”. Já o deputado André Vargas, quadro poderoso, vice-presidente da Câmara, renunciou ao posto e se desfiliou em virtude de suas confusões. Ou foi Vargas convencido a se desfiliar? A prática é como a dos grupos radicais, como guerrilhas, máfias ou milícias: quem compromete o projeto é esquecido na prisão ou deixado à beira do caminho. Caindo a incógnita sobre a preservação do poder no colo da própria presidente, será ela a próxima a deixar a linha de frente – ainda que sob constrangimentos. Logo, se a Petrobras afundar, se a Copa explodir ou se os gráficos de popularidade acabarem por perfurar o solo até fazer jorrar petróleo, basta mandar o “Pelé” para o aquecimento. Alguém ainda duvida?

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