Teste de sets com 21 pontos não atendeu às expectativas

Mudança teria sido pedida pela Rede Globo, interessada em diminuir o tempo das partidas

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

Renato D’Avila, da CBV, diz que 21 pontos não devem ser mantidos
Alexandre Arruda / CBV
Renato D’Avila, da CBV, diz que 21 pontos não devem ser mantidos

Grandes novidades nem sempre são bem-vindas. Para ter certeza, no entanto, é preciso testá-las em jogo, colocá-las em prática. Foi o que aconteceu na temporada 2013/2014 da Superliga. Por determinação da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), os jogos da Superliga – masculina e feminina – passaram a ter sets de 21 pontos, em vez dos tradicionais 25, como os jogadores já estavam acostumados.

A mudança surtiu uma onda de protestos por parte de torcedores, jogadores e técnicos, principalmente no começo da temporada. Com o campeonato em andamento, pouco poderia ser feito a não ser tentar se adaptar da forma mais rápida possível.

“A adoção do set de 21 pontos foi uma experiência realizada a pedido da Federação Internacional de Vôlei (FIVB). Para a temporada 2014/2015, voltaremos ao padrão normal, a não ser que a FIVB determine a mudança definitiva da regra”, informa Renato D’Avila, superintendente da CBV.

Mas, em vez de realizar testes em torneios de menor expressão para verificar como seria a adaptação dos jogadores, a entidade preferiu colocar em prática no maior campeonato do país, gerando incômodos de todas as partes.

“Isso não poderia acontecer durante a Superliga. Outros torneios poderiam ser usados para esse tipo de experiência. Temos um campeonato de alto nível e muita responsabilidade em jogo para um teste como esse”, desabafou Bernardinho, em visita a Lagoa Santa, ainda em outubro do ano passado.

Os principais envolvidos não pouparam a CBV, que recebeu influência direta da Rede Globo, interessada em diminuir o tempo das partidas. No entanto, outros campeonatos, como o Italiano e o Russo, preferiram manter o sistema tradicional de pontos.

“A diferença no tempo de jogo foi mínima. Tivemos jogos da semifinal com mais de duas horas de duração. Claro que é importante ajustarmos o esporte à grade de televisão, mas temos que pensar em outras formas de chegar a esse objetivo”, comenta Marcelo Fronckowiak, técnico do RJ Vôlei.

Assim como outros treinadores, Fronckowiak esteve presente à reunião em que a CBV apenas informou a decisão, não dando espaço para negociações ou, até mesmo, para ouvir argumentos. “Fui contrário, e acredito que o momento foi inoportuno. Questionamos a pressa dessa implementação, informando que seria benéfico acontecer em campeonatos menores”, destaca o treinador, que ficou contente com o fato de a CBV ter voltado atrás.

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