Carro 1.0 já não faz mais a cabeça do consumidor no país

Nos anos 90, veículo popular era responsável por 80% dos emplacamentos e, hoje, por 41%

iG Minas Gerais | Pedro Grossi |

Vedete. Lançado em 1991 no mercado, Uno Mille tinha como prioridade o preço e não o desempenho
Fiat/Divulgação
Vedete. Lançado em 1991 no mercado, Uno Mille tinha como prioridade o preço e não o desempenho

Criado há 24 anos como opção para o consumidor popular, o motor 1.0 chegou a ser responsável por quase 80% dos emplacamentos em meados dos ano 90. Hoje, eles representam 41% do mercado, número que, apesar de ainda expressivo, tende a diminuir.  

Uma das explicações é a gradativa mudança no perfil do consumidor. Quando o Uno Mille foi lançado, em 1991, sua prioridade era preço, e não desempenho. O então presidente Collor baixou os impostos para uso de pequenos motores. Originalmente, a intenção era beneficiar o BR-800, que seria o primeiro veículo totalmente nacional, criada pela extinta montadora Gurgel. A Fiat, que ainda se estabelecia no mercado nacional, aproveitou a oportunidade e tomou conta desse mercado.

Depois de um tempo, a insatisfação com o baixo desempenho fez com que a indústria se mobilizasse para criar alternativas, como a injeção eletrônica e motores com 16 em vez de 8 válvulas, fazendo com que a potência passasse de 47 cavalos para 70 cavalos. No início dos anos 2000, a Ford lançou o 1.0 Supercharger, e a Volks lançou o 1.0 turbo. Inovações que se refletiram nos preços e fizeram com que esses carros de entrada estivessem cada vez mais próximos de outros modelos mais potentes.

“O carro é um desejo de consumo, objeto de integração a um determinado grupo. Itens como bagageiros espaçosos e ar-condicionado são considerados de primeira necessidade e isso exige motores mais potentes”, diz o educador financeiro da DSOP, instituto dedicado ao tema, Reinaldo Domingos. “O grande termômetro é o bolso. Como a renda aumentou, o nível de exigência com os veículos também cresceu”, explica. Esse foi o caso do administrador de empresas Oswaldo Brandão que, há três anos, vendeu seu 1.0 para financiar um carro mais potente. “Percebi que não queria apenas me deslocar, mas queria fazer esse trajeto de forma confortável”, conta ele.

Vendas. Após uma sucessão de recordes históricos, as vendas de carros começam a dar sinais de acomodação. No primeiro trimestre de 2014, o mercado interno apresentou números fracos na comparação com o mesmo período de 2013. Já descontando os efeitos sazonais do Carnaval, as previsões para o ano variam entre uma queda de 1% nas vendas.

Emplacamento

Março. Entre os meses de março de 2013 e março de 2014, houve redução de 13,28% no volume de emplacamentos no país. No trimestre, a retração total foi de 0,2%, segundo a Fenabrave.

Quedas nas vendas deixam governo em alerta Embora a intenção do governo federal seja a de retomar as cobranças da alíquota integral do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) em julho, já existem conversas em alguns ministérios de manter as alíquotas nos atuais níveis, de acordo com informações publicadas no jornal “Brasil Econômico”. Publicamente, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) diz não ter conversado com o governo sobre a alíquota do IPI. O imposto passou para 3% em janeiro e poderá chegar a 7% em julho no caso de carros 1.0. Somando a obrigatoriedade dos freios ABS e do airbag, os carros 1.0 ficaram mais caros e isso pode ajudar a explicar a perda de mercado. Outros modelos têm IPI de 9%, que poderá passar para 11%.

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