PT provoca crise em fundo de pensão da Petrobras

Pela primeira vez em dez anos, todo o conselho desaprova contas

iG Minas Gerais |

Escândalo. Compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, desencadeou denúncias na Petrobras
PASADENA REFINING COMPANY/DIVULGACAO
Escândalo. Compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, desencadeou denúncias na Petrobras

Rio de Janeiro. Enquanto a ingerência política mergulha a Petrobras numa das maiores crises de sua história, o fundo de pensão dos funcionários da estatal, a Fundação Petros, vive dias turbulentos pelos mesmos motivos. Pela primeira vez em dez anos, as contas da entidade foram rejeitadas por unanimidade por seu conselho fiscal.

Nem mesmo os dois conselheiros indicados pela Petrobras no colegiado de quatro cadeiras recomendaram a aprovação das demonstrações financeiras de 2013, que apontaram um déficit operacional de R$ 2,8 bilhões no principal plano de benefícios dos funcionários da estatal e um rombo que pode chegar a R$ 500 milhões com despesas de administração de planos de outras categorias. Mesmo assim, as contas foram aprovadas no órgão superior da entidade, o conselho deliberativo, abrindo uma crise interna no fundo.

Um grupo de conselheiros eleitos descontentes resolveu recorrer à Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), órgão que fiscaliza fundos de pensão, para denunciar a direção da Petros, controlada por sindicalistas ligados ao PT desde 2003. Os resultados dos investimentos da fundação têm recebido pareceres contrários do conselho fiscal há dez anos, mas apenas com o voto dos conselheiros eleitos pelos funcionários.

No entanto, as contas sempre foram aprovadas pelo conselho deliberativo, órgão superior, no qual a Petrobras, patrocinadora do fundo, indica o presidente, tendo direito a voto de desempate. A estatal, no entanto, nem tem precisado usar esse recurso.

O principal motivo da reprovação das contas da Petros pelo conselho fiscal foi o fato de a maioria dos quase 40 planos de outras categorias que passaram a ser geridos pela fundação durante o governo Lula ser deficitária: não geram recursos suficientes para pagar os custos de administração.

O cálculo dos conselheiros, baseado em dados que atribuem à própria Petros, é que, em cinco anos, os dois planos perderam pelo menos R$ 200 milhões. Esse montante, alegam, pode chegar a R$ 500 milhões, se for corrigido.

Transferência

Ameaça. O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso na Operação Lava Jato, deverá ser transferido nesta segunda para um presídio comum em Curitiba. Na sexta-feira, o juiz Sérgio Moro determinou a transferência. A decisão ocorreu após Paulo Roberto Costa afirmar, por meio de seu advogado, que um agente da PF ameaçou transferi-lo para o presídio federal de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná. O advogado Fernando Fernandes disse que a transferência “torna real” a ameaça relatada por Costa.

Mudança

Ligação. Eleito pelos empregados, Paulo Cezar Chamadoiro Martin, passou a votar com a Petrobras. Ele é dirigente da Federação Única dos Petroleiros (FUP), ligada à CUT e braço sindical do PT.

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