Animações globais revelam técnicas muito além do 3D

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

“Common Is the Sense”, de Nadav Arbel, é um dos curtas exibidos
file / divulgação
“Common Is the Sense”, de Nadav Arbel, é um dos curtas exibidos

Animação hoje em dia virou sinônimo de animaizinhos tridimensionais falando e fazendo bilhões nas bilheterias dos multiplexes. Mas nem só dos pixels de ouro de Hollywood vive a técnica. E é para reconhecer os trabalhos de ponta realizados na área em todo o mundo que o Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (File) realiza, desde 2011, o File Anima+. E na sua edição belo-horizontina em 2014, o evento traz na bagagem uma boa amostra do festival realizado em São Paulo. “Procuramos apresentar animações que não sejam mainstream, aquelas que o público não têm tanto acesso como as que estão sendo ou foram exibidas nos cinemas”, afirma a curadora Raquel Fukuda. Para a capital mineira, ela selecionou 54 trabalhos, que integraram não só o File de São Paulo, mas também dois grandes parceiros do evento: o Japan Media Arts Festival e o SIGGRAPH, um dos mais importantes eventos de computação gráfica do mundo. Segundo Fukuda, apesar de o mainstream focar atualmente em animações 3D, especialmente depois dos consecutivos sucessos da Pixar e Dreamworks, existem muitos artistas explorando novas fronteiras mundo afora, em produções dos orçamentos mais variados, desde filmes publicitários, clipes musicais a trabalhos de conclusão de curso de estudantes. “As produções estão em crescimento exponencial, seja pela amplitude de técnicas, com novos softwares que democratizaram a maneira de se pensar e fazer animação, seja em experimentações sem foco comercial no qual o animador pode trabalhar da forma que quiser, seja no aumento do número de animações autorais, que ao meu ver, é algo maravilhoso”, elabora. E a curadora afirma que, no Brasil, com a crescente demanda por conteúdo audiovisual local, a situação não é muito diferente. “Novos diretores vêm surgindo com trabalhos de altíssimo nível”, argumenta. Tanto que, para Fukuda, um dos destaques do File Anima+ em Belo Horizonte é o curta "Faroeste: Um Autêntico Western", do brasileiro Wesley Rodrigues. O filme, em 2D tradicional, conta a história de uma família de coelhos que contrata um matador para se vingar de um urubu que assassinou um de seus membros. “A escolha de trabalhar com 2D tradicional frame a frame é muito importante para mostrar à nova geração que a linguagem não só é igualmente fascinante, mas é a base de qualquer técnica de animação”, defende. Além dele, a curadora reforça que o público não deve perder “"I'm Also a Bear”, do diretor japonês Tsuneo Goda, “um lindo filme para toda a família”; e o 3D inglês “Release Your Imagination”, que “nos faz repensar a criatividade”. Diferente de outros braços do File, como as instalações, jogos e robôs, o festival de animação não é tão interativo. Por isso, ele acaba estabelecendo uma relação mais tradicional com o público, convidado a ocupar o velho lugar do ‘espectador’. Mas Fukuda não vê nenhum problema nisso. “No caso de animação, o mais importante é contar uma boa história por meio de uma técnica e estética que a faça ganhar vida”, defende a curadora. Ela acredita que a preocupação de fazer com que isso seja interativo ou não é de uma outra natureza. “Para que isso ocorra, precisa ter um contexto e algo que justifique essa interatividade”, pondera a curadora.

Programe-se FileFestival de Linguagem Eletrônica Onde. Oi Futuro – avenida Afonso Pena, 4.001, Mangabeiras Quando. Desta segunda a 1º de junho Entrada gratuita

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