O bruxo e o mágico

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Provavelmente, teremos uma boa Copa, com estádios cheios, prontos (menos o entorno), com muita festa das torcidas e bom nível técnico. Haverá muitos protestos, porém, somente nas ruas. A violência e o caos social que vivemos deverão ser inibidos pelo enorme aparato policial. Os problemas deverão ser parecidos com os da África do Sul e até, em certas situações, com os da Europa. Em Joanesburgo, vários jornalistas e turistas foram furtados. Em um jogo da Argentina, havia dois ingressos para o mesmo lugar. Era longo o tempo para se chegar aos estádios, de transporte público ou de carro, e mais ainda para estacionar. As informações eram confusas. O jornalista Sérgio Xavier, da revista “Placar”, disse, no “Redação SporTV” – ótimo programa –, que me viu no centro de imprensa de um grande estádio alemão, trabalhando no chão e com o computador no colo, pois não havia lugar para todos. É verdade, menos o computador. Escrevia à mão, como faço hoje. Não pense que acho isso inteligente e glamoroso. Sou um inadaptado à tecnologia. Perco com isso. A questão principal não é se haverá ou não uma boa Copa. Minha indignação, e de parte da população, é com o desperdício e os absurdos gastos públicos, com os estádios caríssimos, sendo que alguns se transformarão em elefantes brancos, com o poder da Fifa – o Brasil aceitou tudo –, com o desalojamento de famílias pobres e com várias outras coisas. Se fosse possível voltar a 2007, quando foi anunciada a Copa no Brasil, com todos cientes do que aconteceria daquele período até hoje, imagino que a maioria absoluta da população seria contra. Faço parte deste grupo. Pulo para o jogo. Felipão anunciou que Thiago Silva, David Luiz, Fred e Júlio César serão os capitães, repetindo a estratégia de 2002, como se isso tivesse grande importância. A única razão incontestável da conquista do Mundial de 2002 foram os três erres (Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo). Méritos para Felipão, que os escalou juntos. O restante é perfumaria. O Brasil é um dos mais fortes favoritos ao título, mas imagine se for desclassificado nas oitavas de final, o que não é nenhum absurdo, pois enfrentará um adversário difícil. Quais seriam as consequências para o Mundial? Governo, Fifa, CBF, patrocinadores, empresários e milhares de pessoas que querem lucrar com a Copa deveriam se preparar para isso. Não podem achar que Felipão é um bruxo, que Neymar é um mágico e que, com os dois, não há nenhuma chance de isso acontecer. Os mais revoltados, os extremistas e os que detestam a Copa no Brasil falam que é impossível o Brasil sair antes da final, porque os poderes econômicos e políticos não permitiriam. Apesar de o ser humano demonstrar, com frequência, não ser confiável, o jogo, no campo, é sagrado. Há exceções.

Novo técnico Contra o Nacional de Medellín, o Atlético jogou muito mal, como aconteceu muitas vezes, nos jogos fora de casa, com Cuca. O time colombiano está no mesmo nível do Atlético, do Cruzeiro e do Grêmio. Não foi nenhuma surpresa. Apesar de o investimento ser infinitamente maior nos clubes brasileiros, os jogos são equilibrados. No Mundial de Clubes, quando estava melhor que hoje, o Atlético já havia mostrado um nível técnico parecido com os times do Marrocos e da China. A torcida pediu, e Kalil atendeu a Massa. Levir Culpi terá o apoio dos torcedores. Atlético, Grêmio e Cruzeiro possuem boas chances de se classificar para as quartas de final da Libertadores.

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