Grupo de cartas mantém tradição viva

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Desafiada por um colega de trabalho que contou nunca ter recebido uma carta de um amigo, daquelas escritas à mão, a professora Suely de Fátima Dias, 47, resolveu retomar o antigo hábito.

“Ao escrever para ele vi o tanto que estava com saudade de pegar no papel, me sentar e escrever uma carta do jeito que sempre fiz e há anos não fazia”, conta Suely que, apesar de ter apresentado a “novidade” ao amigo, não foi correspondida. Após o balde de água fria do amigo que não quis responder à carta da professora, Suely se inscreveu em dois grupos de correspondência. “Tenho Whatsapp, uso e-mail, mas essa é uma comunicação muito abreviada, e quando se abrevia as palavras, abrevia também os sentimentos. Pegar o papel para escrever possibilita uma pausa, silêncio e consequentemente um aprofundamento maior do que se está querendo dizer. Você se conecta a sentimentos que nem sabia que existiam”, defende. Na contramão da comunicação instantânea, o grupo de correspondência busca frear um pouco da velocidade provocada pela tecnologia e resgatar o prazer da escrita e da espera por um envelope postado nos Correios. Mas o contato inicial é pela internet, onde o grupo tem um site e as membros selecionam as pessoas com as quais querem trocar cartas. Criado em meados de 2011 pelo auxiliar administrativo Alexandre Machado, 28, de Bebedouro, em São Paulo, o clube conta hoje com 127 membros. “Sempre gostei muito de escrever. Em tempos em que a informação chega em segundos do outro lado do mundo, esperar dias, semanas talvez, pela ‘simples’ resposta de alguém, é um grande exercício de paciência. Já recebi relatos de pessoas que se sentiam sozinhas, mas que, ao trocar cartas com pessoas de outros lugares, sentiram um novo vigor”, afirma Machado.

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