Atenção é ‘habilidade sob cerco’ na era da conexão generalizada

Nas redes sociais, você está sozinho, mas procura por mensagens e aprovação, diz especialista

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Pedir desculpas pelo Facebook, discutir a relação pelo Whatsapp, desejar feliz aniversário com um tuíte. Mais do que simples hábitos incorporados à rotina, a tecnologia tem influenciado os relacionamentos e mudado as pessoas. Especialistas acreditam que as relações estão correndo riscos, uma vez que as pessoas estão perdendo capacidades intelectuais e emocionais.

No livro “Foco”, o escritor norte-americano Daniel Goleman analisa os reflexos do nosso estado permanente de conexão no cérebro. Segundo ele, a atenção tornou-se uma habilidade mental sob cerco. “As crianças de hoje estão crescendo numa nova realidade, na qual estão conectadas mais a máquinas e menos a pessoas de uma maneira que jamais aconteceu antes na história da humanidade”, afirma o escritor. Para ele, menos horas passadas com gente e mais horas olhando fixamente para uma tela digitalizada são o prenúncio de déficits. “Sabemos que não é legal ficar checando o celular quando estamos com alguém, mas é viciante”, afirma Goleman no livro. “O que a informação consome é a atenção de quem a recebe. Eis por que a riqueza de informações cria a pobreza de atenção”. A psicóloga norte-americana Sherry Turkle é uma das que encabeçam essa linha de pensamento. Parte de seus 15 anos de estudos sobre os efeitos psicológicos da internet sobre as pessoas está registrado no livro “Alone Together – Why We Expect More From Technology And Less From Each Other” (“Sozinho acompanhado – Porque esperamos mais da tecnologia e menos uns dos outros”, em tradução livre). Para ela, estamos deixando de investir nos laços que unem os seres humanos. “Nas redes sociais, um paradoxo acontece. Você está sozinho e continuamente à procura de uma próxima mensagem, de aprovação. Estamos criando uma geração que cresceu com conexão constante, e só sabe ser solitário quando não estiver conectado”, afirma a professora do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos. Dessa forma, as relações ficam comprometidas, segundo Andréa Moreira Maciel, presidente da Associação Mineira de Terapia de Família (Amitef). “Toda essa novidade afeta diretamente os relacionamentos, uma vez que distancia o contato presencial, a ligação telefônica, a convivência afetiva e social. As relações humanas se transformaram muito, e o contato muitas vezes fica comprometido, pois uma mensagem de celular, um e-mail, um tuíte substituem a presença”, afirma. Andréa acredita que resolver dilemas e conflitos com recursos tecnológicos pode parecer mais tranquilo uma vez que o desgaste emocional é muito maior na relação direta, mas os prejuízos podem aparecer mais tarde. “Ao invés de ser resolvido, o conflito pode ficar mais complexo e a relação comprometida em um nível muito mais delicado e negativo. São nos encontros que as relações afetivas se efetivam e se tornam concretas e verdadeiras”, diz.

Valorização Afeto. Diante dos inúmeros e sedutores recursos tecnológicos Andréa Moreira diz que um dos riscos é o isolamento. “Afetos precisam ser valorizados nessa era tão virtual e distante”, afirma.

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