Pai perde guarda provisória da irmã caçula de Bernardo

MP diz que não vai recorrer de liminar por não ver conflito

iG Minas Gerais |

A promotora Dinamárcia e, no detalhe, o casal de suspeitos com a filha
CARLOS MACEDO/Agência RBS/ESTADÃO CONTEÚDO
A promotora Dinamárcia e, no detalhe, o casal de suspeitos com a filha

Porto Alegre. A Justiça do Rio Grande do Sul determinou nesse sábado que a filha do médico Leandro Boldrini e da enfermeira Graciele Ugulini, presos por suspeita de participação na morte do menino Bernardo Boldrini, fique com uma tia. A guarda provisória da criança de um ano e cinco meses foi concedida a uma irmã de Graciele.  

A decisão tem caráter liminar e foi emitida pela Comarca de Santo Augusto, onde vive a irmã de Graciele, Simone Ugulini. Nessa sexta, a Comarca de Três Passos já havia retirado de Leandro e Graciele o poder familiar sobre a filha.

Segundo o advogado Vanderlei Pompeo de Mattos, que defende a enfermeira na investigação sobre a morte de Bernardo, a criança já estava com a tia. “A irmã da Graciele também é enfermeira e é madrinha do bebê. Além disso, ela tem um filho de cinco anos, o que facilita a interação com a criança”, explicou. O Ministério Público diz que a liminar não gera conflito e não vai recorrer da decisão.

“O que queríamos era regularizar a situação dessa criança. Soubemos que a família trocava (a criança) de uma casa para outra e isso criava uma situação de risco”, ressaltou a promotora Dinamárcia Maciel, responsável pelo caso.

A promotora destacou que o objetivo da ação do MP ao tirar a guarda dos pais biológicos era obter uma posição do Judiciário que apontasse uma pessoa responsável pelo bebê. “Soubemos que o bebê trocou de casa três vezes. Isso nos preocupou. Com essa decisão (que concede a guarda à irmã de Graciele) nos damos por satisfeitos. Não vamos recorrer”.

Bloqueio de bens. Outra decisão judicial, que acolheu um pedido do MP, decretou o bloqueio total dos bens do médico Leandro Boldrini. Segundo o juiz Marcos Luís Agostini, da 1ª Vara Judicial de Três Passos, a determinação é necessária até que seja esclarecido qual patrimônio pertencia a Bernardo, após a morte da mãe dele, Odilaine Uglione Boldrini. A mulher, segundo a polícia, cometeu suicídio em 2010.

Na decisão, o juiz ressaltou que há um processo de inventário com tramitação regular, no qual um imóvel foi arrolado. De acordo com o Tribunal de Justiça, o mesmo imóvel já foi vendido, mas os valores foram utilizados na aquisição da casa onde a família residia até a morte de Bernardo. Com isso, o garoto teria direitos hereditários da parte que pertencia à mãe e que não foi objeto de inventário até o momento.

O MP ressaltou que o pedido de indisponibilidade dos bens foi tomado para impedir que o médico possa a vir a se desfazer do patrimônio do filho para custear sua defesa. “Além disso, se o pai, hoje suspeito, se tornar réu por homicídio, ele pode ser considerado indigno para se tornar herdeiro do filho”, explicou a promotora Dinamárcia Maciel.

De acordo com o advogado Marlon Taborda, que representa a avó materna do menino, caso a Justiça venha a declarar que o pai de Bernardo não tem direito à herança, ela serie dividida entre os avós paternos e a avó materna. De acordo com o Código Civil, a ascendência em linha reta prevalece sobre o colateral, explica o advogado.

Os suspeitos

Trio. Leandro e Graciele Boldrini e Edelvania Wirganovicz, amiga do casal, estão presos em local não revelado por medida de segurança. Para polícia, resta averiguar o papel de cada um no crime.

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