“A ordem era matar ele”, diz afilhado de Malhães

A guia de sepultamento aponta como causa da morte “edema pulmonar e isquemia do miocárdio”

iG Minas Gerais |

Cerca de 50 pessoas compareceram ao enterro de Paulo Malhães
Fernando Frazão/Agência Brasil
Cerca de 50 pessoas compareceram ao enterro de Paulo Malhães

Rio de Janeiro. O administrador Joaquim Sarmento Souza, 25, afilhado do coronel reformado Paulo Malhães, 76, morto durante invasão de criminosos a sua casa na última quinta-feira, na zona rural de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, relatou uma conversa que teve com a viúva do militar logo após o crime, na qual ela afirmou que os criminosos citaram ter ordens para “matar ele”.

O crime aconteceu um mês depois de o oficial admitir à Comissão Nacional da Verdade que torturou e matou presos políticos na ditadura militar. Malhães foi sepultado nesse sábado, no cemitério municipal de Nova Iguaçu.

Souza disse que foi um dos primeiros a chegar à casa do coronel na manhã seguinte ao crime. Ele mora numa casa vizinha no bairro Ipiranga. “A mulher dele (Cristina) contou que os bandidos se falavam o tempo todo por rádio. E recebiam ordens: ‘Ainda não matou ele? Tá demorando muito. A ordem é matar ele’. Perguntavam se o meu padrinho não lembrava da família que ele matou em Duque de Caxias e ele respondia que não”, disse Souza.

O rapaz diz crer que o crime foi motivado por vingança, de uma das vítimas torturadas no passado ou de algum ex-empregado de Malhães. Já Vera Lúcia Barçante Sarmento, 64, que afirmou ser “comadre” de Malhães, disse acreditar em “queima de arquivo” porque o coronel sabia do envolvimento de outros militares nas torturas da ditadura.

A Polícia Civil investiga a possibilidade de a morte ter sido provocada por asfixia. A guia de sepultamento do coronel aponta como causa da morte “edema pulmonar, isquemia do miocárdio, miocardiopatia hipertrófica e evolução de estado mórbido (doença)”.

A mais velha dos cinco filhos do coronel, Karla Malhães, afirmou que a família não pensou nos motivos para o assassinato. “Estamos nos despedindo de nosso pai. Para nós ele era apenas pai. E um bom pai. Para vocês, era um coronel da ditadura”, disse a filha.

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