Planalto em alerta por Padilha

PT teme que denúncias contra pré-candidato da sigla ao governo de SP possa prejudicar Dilma

iG Minas Gerais |

Juntos. Padilha recebeu o apoio do PCdoB ontem, quando aproveitou para se defender das acusações de que teria ligações com Youssef
Paulo Pinto /ANALITICA
Juntos. Padilha recebeu o apoio do PCdoB ontem, quando aproveitou para se defender das acusações de que teria ligações com Youssef

Brasília. A campanha do PT em São Paulo aflige o Planalto. A preocupação não é apenas com o socorro do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, provável candidato do partido à cadeira do governador Geraldo Alckmin (PSDB), mas com a blindagem da presidente Dilma Rousseff no maior colégio eleitoral do país.  

A Polícia Federal levantou a suspeita sobre Padilha após interceptar mensagens telefônicas trocadas entre o deputado licenciado André Vargas (PR) com o doleiro Alberto Youssef, acusado de liderar esquema de lavagem de dinheiro que usava, entre outras empresas, o laboratório Labogen.

Em uma das mensagens, Vargas sugere o nome de um ex-funcionário do Ministério da Saúde para ocupar um cargo no laboratório e diz que foi Padilha quem o indicou – naquela época, em novembro, o Labogen tentava fechar um negócio de R$ 6,2 milhões ao ano com a pasta comandada por Padilha.

Nessa sexta, o provável candidato ao governo paulista decidiu vir a público para negar com veemência que tenha indicado o ex-assessor para o laboratório. Pressionado, Vargas pediu a sua desfiliação do PT – ele ainda tenta manter o mandato. O plano de reação prevê nova ofensiva do ex-presidente Lula no palanque paulista, em caravanas pelo interior, após o Encontro Nacional do PT, em 2 e 3 de maio, quando a sigla aprovará as diretrizes do programa de governo de Dilma. O evento ocorrerá em São Paulo com a presença de Lula, Dilma e Padilha. O PT quer aproveitar o encontro para mostrar unidade.

As últimas pesquisas encomendadas por João Santana, marqueteiro de Dilma, assustaram a coordenação da campanha. As sondagens revelam que muitos eleitores não enxergam a ação do Estado em programas sociais do governo, como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida, por exemplo. Para a maioria dos entrevistados, a melhoria de vida é fruto de esforço próprio. Agora, Dilma e Lula vão tentar colar essas marcas ao governo e uma delas, a do Mais Médicos, será sempre associada a Padilha.

Com discurso voltado para a nova classe média, o PT procurará vender a ideia de um “país de oportunidades”. A eleição em São Paulo merece atenção redobrada, na avaliação de integrantes do governo. Para eles, tudo está conspirando contra o PT no Estado e isso poderia causar mais desgaste à campanha num momento em que o Planalto está na mira da CPI da Petrobras.

Em ato de adesão à candidatura de Padilha nesse sábado, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo afirmou que há vazamento de “informações escolhidas e selecionadas” das investigações da Operação Lava Jato.

Conexão

Coincidência. Investigado pela Polícia Federal sob suspeita de ter sido indicado por Alexandre Padilha para a Labogen, Marcus Cezar Ferreira de Moura, trabalhou por três meses no Ministério da Saúde.

PF encontra mensagens românticas Rio de Janeiro. O relatório da Polícia Federal traz uma conversa entre o doleiro Alberto Youssef e o deputado federal Luiz Argôlo (SDD-BA) em que os dois trocam mensagens “românticas”. O conteúdo foi publicado na coluna de Felipe Patury, na revista “Época”. Em 28 de fevereiro, o deputado diz “você sabe que tenho um carinho por você e é muito especial”, ao que o doleiro responde “idem”. O parlamentar continua, “queria ter falado isso nesse sábado. Acabei não falando. Te amo”. A resposta de Youssef foi: “eu amo você também. Muitoooooooooo<3” (sic).

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