Cérebro comanda o amor e desativa o medo na paixão

O córtex frontal desliga quando nos apaixonamos, suspendendo todas as críticas ou dúvidas

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Neurolinguística. O trainer Maurício de Souza e a advogada Daniela Bossi, 37, têm a própria tese para explicar as emoções
douglas magno
Neurolinguística. O trainer Maurício de Souza e a advogada Daniela Bossi, 37, têm a própria tese para explicar as emoções

Para a decepção dos românticos de plantão, acreditar que o amor está no coração não passa de um mito. A origem das emoções e sentimentos está no cérebro, segundo o neurocientista argentino Facundo Manes, autor do livro “Usar o cérebro - Conhecer a nossa mente para viver melhor”, com mais de 35 mil exemplares vendidos.  

“Tudo o que fazemos depende desta ‘máquina’ quase perfeita, que contém mais neurônios do que há estrelas na galáxia. É um mito dizer que se ama com o coração. Apesar de uma boa metáfora, não é real. A origem das emoções e sentimentos como o amor está no cérebro”, afirma Manes. Segundo ele, nas últimas décadas, a ciência descobriu que o coração é a vítima das nossas paixões. “Hoje sabemos que há um selo neural para as emoções básicas, e que o coração pode ser sua vítima”, diz o médico que operou a presidente argentina Cristina Kirchner.

Cientistas da Universidade Concordia, no Canadá, mapearam pela primeira vez em 2012 atividade do amor e do desejo no cérebro. Eles descobriram que duas estruturas cerebrais em particular – a ínsula e o estriado – são responsáveis pelo acompanhamento da progressão tanto do desejo sexual, quanto do amor. A ínsula está localizada no meio do cérebro, praticamente dividindo-o em dois.

O estriado está bem próximo, porém na parte frontal do órgão, em uma região conhecida como prosencéfalo. Jim Pfaus, um dos autores do estudo, explica que a região específica atingida pelo amor no estriado é a mesma associada ao vício de drogas. “O amor funciona no cérebro do mesmo jeito que as drogas em pessoas que se tornam viciadas”, diz ele, lembrando que o amor, porém, é um hábito bom.

Estudos já publicados também mapearam as mudanças químicas que ocorrem e descobriram partes cerebrais que ficam ativas e inativas quando alguém inicia um namoro, segundo o site Daily Mail. O córtex frontal, que comanda o julgamento, desliga quando nos apaixonamos, suspendendo todas as críticas ou dúvidas. São áreas do cérebro que controlam o medo e as emoções negativas. Isso explica porque as pessoas se sentem bem e sem medo do que pode dar errado quando amam.

De acordo com o psicólogo Amadeu Roselli Cruz, a busca pela real localização dos sentimentos não é novidade e até o estômago já foi apontado como o órgão responsável pelas emoções. “Dizer ‘estou enjoado de você ou você me dá náuseas vem de uma teoria localizacionista dos asiáticos há pelo menos mil anos. Mas gostar, odiar e amar são atividades eminentemente cerebrais”, explica.

O psicólogo afirma que a personalidade desenvolvida ao longo da vida, baseada nos estímulos e nas experiências, vão ‘dizer’ para o cérebro se comportar de maneira mais “afetiva, carinhosa ou rejeitar pessoas”.

Para o trainer em programação neurolinguística Maurício de Souza, seria melhor dizer que a emoção está na relação. “A emoção não é uma coisa, é um processo regulador das relações. Seria como dizer que a mente está em algum lugar, quando na verdade não está em lugar nenhum”, afirma Souza, que é diretor do Instituto Brasileiro de Programação Neurolinguística. A advogada Daniela Bossi, 37, acredita que é preciso aprender a aceitar os sentimentos. “As emoções são como um mensageiro que bate à porta, se você ignora, ela bate mais forte e não se sabe o impacto que isso vai ter no futuro”, afirma.

Ficha técnica

Livro: “Usar o cérebro - Conhecer a nossa mente para viver melhor ”

Autores: Facundo Manes e Mateo Niro

Editora: Planeta

Páginas: 368 páginas

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