Dirceu e Paz tentam provar que são inocentes com auditoria

Ex-ministro da Casa Civil e ex-sócio de Marcos Valério querem anular julgamento do Supremo

iG Minas Gerais | RODRIGO FREITAS |

Dirceu tenta mostrar em auditoria que o dinheiro da Visanet não sofreu desvio
O TEMPO/ARQUIVO
Dirceu tenta mostrar em auditoria que o dinheiro da Visanet não sofreu desvio

Condenados e presos no processo do mensalão, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e Cristiano Paz, ex-sócio de Marcos Valério na DNA Propaganda, não desistiram de tentar provar que são inocentes. Para isso, a dupla contratou, com recursos próprios, uma consultoria para fazer uma auditoria nas contas da Visanet, empresa que foi o estopim do maior caso de corrupção do Brasil. Uma fonte ouvida por O TEMPO informou que o trabalho já está quase concluído.

Reservadamente, petistas afirmam que o objetivo maior, principalmente de Dirceu, é recorrer ao Tribunal Internacional de Haia e, com isso, anular o julgamento feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF), considerado “político” pelos petistas.

Segundo o processo, saíram da Visanet os R$ 73,8 milhões repassados à DNA em 2003 e 2004 para o pagamento a deputados da base aliada do ex-presidente Lula, em troca da aprovação de projetos de interesse do Executivo. Na auditoria, Dirceu e Paz tentam mostrar que o dinheiro – que deveria ser gasto pela DNA com a divulgação da Visanet – foi utilizado para o fim ao qual se destinava. Formada como um consórcio de várias instituições financeiras, a Visanet – bandeira de cartões de débito e de crédito – dispunha de um fundo de verbas publicitárias. O destino do dinheiro era decidido por cada um dos bancos associados. No caso do Banco do Brasil, que tinha Henrique Pizzolato como diretor de marketing à época, a agência escolhida foi justamente a DNA, de propriedade de Marcos Valério e Cristiano Paz. O ex-ministro e o ex-sócio de Valério tentam mostrar na auditoria que o dinheiro da Visanet gerenciado pelo Banco do Brasil foi mesmo usado em ações de publicidade e em patrocínio de atletas como o hoje ex-tenista Gustavo Kuerten e o nadador César Cielo. “Eles querem mostrar por meio de uma análise financeira – e não contábil – que não houve desvio. Ou seja, querem mostrar que isso nunca existiu”, afirma um petista. O TEMPO ligou, por quatro vezes, para o escritório do advogado de Dirceu, José Luís de Oliveira, e deixou recado, já que ele não possui celular. Também foram quatro tentativas no celular do advogado de Cristiano Paz, Castelar Guimarães Neto. Em todas, a ligação caiu na caixa postal. Foi deixado recado. Nenhum dos dois retornou até o fechamento desta edição.

Vaquinha Esforço. Em fevereiro deste ano, José Dirceu conseguiu pagar uma multa de R$ 970 mil que a Justiça lhe impôs a partir de uma “vaquinha”, na qual arrecadou R$ 1,083 milhão. 

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