Vans lucram com ‘botequeiros’

Festivais movimentam Belo Horizonte até o próximo mês e levam lucros não só aos bares

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

De boteco em boteco. Rodrigo Fontini faz transporte para o festival há 5 anos e diz que demanda aumentou desde a Lei Seca no país
Lincon Zarbietti / O Tempo
De boteco em boteco. Rodrigo Fontini faz transporte para o festival há 5 anos e diz que demanda aumentou desde a Lei Seca no país

Nem só dos bares vive o faturamento dos festivais Comida di Buteco e Botecar, que estão movimentando Belo Horizonte. Donos de vans também lucram transportando os “botequeiros” para saborear as delícias. “O movimento está acima do que eu esperava”, diz o técnico em telecomunicações, Marcos Vinícius Guimarães. Frequentador dos bares, ele entrou no ramo do transporte neste ano e não tem do que reclamar: espera faturar cerca de R$ 5.000 e comprar uma moto nova. Todo fim de semana, Guimarães freta uma van, traça um roteiro e oferece os lugares a R$ 50 cada. O ponto de embarque é na região Central, mas é possível buscar clientes pelo caminho. São normalmente três bares na mesma região da cidade. A maratona tem duração média de seis horas. “Eu me divirto, conheço pessoas e bares novos”, diz ele. Também técnico em telecomunicações, Geraldo Alves Pacheco é um dos clientes assíduos da van de Guimarães. Desde o início dos festivais, há cerca de duas semanas, ele já participou de três caravanas. “Pretendo ir em todos os fins de semana, até terminar”, diz ele. Ele aponta o conforto e a segurança como as principais vantagens. “Ficamos à vontade para beber”, afirma Pacheco, que costuma ir aos bares acompanhado de dois amigos. Ele também diz que o preço é mais em conta se comparado ao valor do táxi. “É mais barato e mais divertido”, comemora. O trabalho que Guimarães começou neste ano, Rodrigo Fontini faz há cinco anos. Dono de uma empresa do setor, a Fontini Vans, ele diz que o movimento aumenta nessa época, especialmente desde o ano passado, quando a Lei Seca ficou mais rígida. Ele aluga as vans para um grupo fechado, que pode ser de até 15 pessoas – a lotação do veículo. O preço é R$ 500, independentemente se os lugares estão todos ocupados ou não. São seis a sete horas de permanência nos bares e o valor cobrado inclui cem quilômetros rodados. O quilômetro a mais sai por R$ 2 e a hora excedente, R$ 50. São os clientes que montam o roteiro e escolhem o ponto de embarque. “Eu posso sugerir bares, mas prefiro que o próprio grupo escolha, porque alguém pode não gostar do meu roteiro”, diz. A empresa tem quatro vans e em todos os fins de semana, pelo menos uma está por conta somente dos “botequeiros”. Verdemar. Apoiador oficial do Comida di Buteco, o supermercado Verdemar também monta caravanas. São seis rotas pré-definidas, que partem aos sábados e domingos das unidades do supermercado. O preço para 12 pessoas é R$ 2.000. São três bares visitados por dia. Os participantes não precisam esperar em fila, têm mesa reservada e um petisco de boas vindas no primeiro buteco. 

Treinamento Senac. Antes do início do Comida di Buteco, donos de bares de Belo Horizonte e do interior passaram por palestras e workshops sobre técnicas e qualidade, realizados pelo Senac.

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