Homens atuais: custo e benefício

iG Minas Gerais |

De tanto escutar por aí bordões do tipo “homem não presta”, “todo homem é sem-vergonha e infiel” e outras pérolas do gênero, é bom separar o joio do trigo. E alertar as mulheres sobre algumas características inerentes ao gênero masculino, questões ligadas a comportamentos que remetem ao início dos tempos, que perpassam desde as particularidades hormonais, nos quais a testosterona, que determina agressividade, impulsividade, sexualidade até aspectos evolutivos, que mostram a necessidade de espalhar seus genes para o máximo de fêmeas que forem capazes de conquistar. As funções de caçar, guerrear,proteger cria ou fêmea são relativas, já que muitas vezes os filhos machos se tornam futuros concorrentes, o que gera conflitos, e, não raro, as fêmeas para preservar suas crias, isolam seus parceiros, caso comum entre felinos ou extremos nas sociedades matriarcais dos elefantes. Quero dizer com isso que nem sempre a paternidade é algo sólido, definitivo, quanto a maternidade. Mesmo competitivos, os homens tendem a ser coletivizados com suas fraternidades masculinas. Adoram sua turma de futebol, de roda de chope, de torcida organizada, da galera da balada e assim vai. Tudo “brother”, pois aparentemente essa comunhão, ou fraternidade masculina, reforça a sensação de poder e proteção. Imprescindível citar os extremos: a busca pelo objeto do desejo, pois é do homem a necessidade da conquista, e logo a seguir tomar posse; ao mesmo tempo, uma vez conquistado, surge um certo desinteresse pelo objeto. Homens sempre querem mais, e raramente se fixam, embora, quando o façam, costume ser assaltados por ciúmes doentios, gerando crimes hediondos. Infelizmente, apesar das leis religiosas, civis, culturais e morais entre machos, a minoria tende à fidelidade e pode ser qualificada como nascida para o casamento e para a vida paternal. Percebe-se que está difícil para as relações interpessoais aprofundar laços afetivos, intimidade, tempo para maturação e respeito das diferenças funcionais, hormonais e comportamentais entre homens e mulheres. Espantoso o quanto sabemos pouco uns dos outros ou do conjunto de diferenças que gêneros tão distintos, mas que se atraem e se complementam. Tanta facilidade de meios de comunicação e a ignorância e o desrespeito só aumentam. Inconcebível ainda haver tanta gravidez indesejada, fruto de bebedeira, desinformação básica, descompromisso e sexualidade quase animalesca. Como explicar o aumento de DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis), como gonorreia e sífilis? Mas como as mulheres reagem, quando se afirma que foi a fantástica evolução feminina, em que, em menos de 80 anos, passaram de não poder nem votar, ler, fazer um curso superior, para estar praticamente comandando o mundo, disputando de igual para igual, se sustentando, independendo do jugo machista, mas, ao mesmo tempo, se desvalorizando, “indo à caça”, assediando um homem que, cada vez mais, se acomoda (é uma das características do macho), já que hoje o grau de exigência é baixo? Para conquistar uma mulher – aliás, papel que sempre na natureza foi dos machos e sua dança de acasalamento –, já não precisa ser poeta, tocar um violão, ser cavalheiro, ter boa cultura, ser criativo e romântico. Não é necessária a batalha, o merecimento da conquista que levava um tempo, no qual uma intimidade ia se criando e com isso os relacionamentos se firmavam muito além da atração física, do sexo e dos interesses outros. Podem malhar, mas, em uma visão geral, os homens atuais estão muito mais infantis, acomodados, egocêntricos, dependentes de pais, predadores sem desejo de casar ou criar filhos. Tomar todas, pegar todas, viajar, ganhar grana fácil, academia, games, turma. E as mulheres contribuem para essa decadência, pois aceitam o troglodismo como algo inerente e, muitas vezes, compartilham as bebedeiras, o sexo casual, e ainda sonham ter um homem para chamar de seu. A maioria ainda quer casar, ter filhos e um companheiro fiel e para sempre. Para essas, diria que um em cada três homens vale a pena. Assim, voltamos à velha natureza: seja seletiva, aceite uma dança de acasalamento, seja difícil no estágio da conquista, crie uma intimidade. E que Deus as abençoe!

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