Com vocês, teatro orquestral

Orquestra britânica que mistura linguagens artísticas faz apresentação única e gratuita neste domingo, em Belo Horizonte

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Miscelânea. Em 2010, a Orquestra Aurora realizou espetáculo “Exorcismo”, que une, no mesmo palco, música clássica e movimentos baseados na capoeira brasileira
Simon Weir
Miscelânea. Em 2010, a Orquestra Aurora realizou espetáculo “Exorcismo”, que une, no mesmo palco, música clássica e movimentos baseados na capoeira brasileira

Imagine-se num recital de uma orquestra de câmara (aquelas formadas por um número menor de músicos quando comparada a um orquestra sinfônica, que geralmente tem mais de 50 integrantes) em que, de repente, capoeiristas entram no cenário, exibindo movimentos típicos do esporte e que dialogam com a música apresentada.

A ação pode parecer improvável para alguns – afinal, quando se fala em concertos de música clássica, a imagem criada na mente é mais tradicional –, mas foi realizada, em 2010, pela Aurora Orquestra na produção intitulada “Exorcismo”. O grupo, reconhecido internacionalmente pelas inovações em seus concertos, faz apresentação única e gratuita neste domingo, no Cine Theatro Brasil.

A intervenção da orquestra, fundada em 2005 por jovens músicos ingleses que compartilhavam o desejo de tornar o palco de suas performances um lugar de experimentação por meio da miscelânea de diferentes formas de artes, não foi um ato avulso. Ela apenas ilustra o alicerce sob o qual Aurora é regida. “No início percebemos que havia espaço para a criação de um novo tipo de orquestra e, mesmo sem incentivo para que isso acontecesse, resolvemos explorar esse novo campo”, afirma o CEO da Aurora, John Harte.

Sob essa perspectiva e com a orientação do maestro Nicholas Collon, foi criada a série “New Moves” (“Novos Movimentos”, em tradução literal), que estreou há quatro anos. Desde então, o grupo explora as potencialidades da junção da música clássica com dança, teatro, artes visuais e cinematográficas para a criação de novas peças. “Nossa intenção é ter algo eclético e extraordinário em nossas apresentações”, comenta Harte.

Uma das reverberações dessa iniciativa foi atrair um público variado para os concertos. “As apresentações de orquestras podem ser, às vezes, assustadoras e intimidadoras. E por isso é tão difícil persuadir pessoas a irem a um recital pela primeira vez. Por isso acreditamos que unir diferentes linguagens e mudar métodos utilizados pelas orquestras tradicionais potencializa a presença da audiência”, analisa Harte.

E foi isso que aconteceu com a Aurora. Recitais cheios, com presença de crianças, jovens e adultos tornaram o modelo um “case” de sucesso, que chama a atenção de gestores do segmento. Entre eles, estão os organizadores da Conferência Internacional Multiorquestra: Talento, Gestão e Impacto, que acontece a partir desta segunda até quarta-feira, no Palácio das Artes.

Organizado pela British Council em parceria com a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, o evento unirá representantes do Brasil e da Inglaterra para tratar de temas relacionados à gestão de orquestras. A Aurora faz o show de abertura como maneira de ilustrar um modelo bem-sucedido. “Além de apresentar um repertório muito diverso, que inclui desde Brahms a compositores vivos, ela usa uma linguagem mais apelativa para atrair jovens, flertando com games e cinema, por exemplo. Como se não bastasse, se apresenta em hospitais, cadeias e estações de trem. Assim, ela explora um formato pautado pela flexibilidade, ainda inédito no Brasil”, afirma o diretor de artes do British Council, Luiz Coradazzi.

Apesar de ainda não ter presenciado a nenhuma apresentação da Aurora, o presidente do Instituto Cultural Filarmônica, Diomar Silveira, acredita que a originalidade nas performances joga a favor da difusão das orquestras. Porém, é reticente para uma possível aplicação no país. “Acho a iniciativa muito bacana, mas acredito que no Brasil precisamos, antes de tentar inovações como essa, consolidar nossas grandes orquestras ou pelo menos fazer isso paralelamente”.

Agenda

O quê. Concerto da Orquestra Aurora

Quando. Neste domingo, às 19h

Onde. Cine Theatro Brasil Vallourec (av. Amazonas, 315, centro)

Quanto. Entrada franca. Os ingressos poderão ser retirados na bilheteria a partir das 16h

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