Índigo Blue

O jeans nosso de cada dia está mudando. Confira o que mudou e o que está por vir na peça mais querida dos nossos guarda-roupas

iG Minas Gerais | Deborah Couto e Silva |

O corte tradicional e a avagem escura é tambem a proposta de Alexandre Herchcovitch, que adotou o denim para um estilo retrô
Andre Penner
O corte tradicional e a avagem escura é tambem a proposta de Alexandre Herchcovitch, que adotou o denim para um estilo retrô

Da cintura-baixa (ou saint-tropez) de antigamente, às altíssimas que reinaram nos anos 80, os jeans passaram por uma longa jornada. Desde sua invenção oficial, em 1853, as lavagens não são mais as mesmas, muito menos a tecnologia têxtil, que vem se aprimorando cada vez mais. Isso faz com que a moda acompanhe o bonde e lance tendências novas a cada dia. Lembra quando surgiu o stretch? E quando o delavê se tornou moda pela primeira vez? Os jeans rasgados, quando apareceram, tinham detonados originais. Hoje eles já vêm de fábrica. E o denim mais tradicional, sem lavagem alguma – quem diria! – está com a corda toda. Mas não reina sozinho.... O tie dye e o jeans clarinho também andam soberanos por aí. W

O jeans é um reflexo da moda mais atemporal. Item básico do guarda-roupa, e dos mais duráveis, não é feito para resistir a apenas uma estação. Por isso, as trends desse mercado acontecem de forma menos frenética. Ou são assim assimiladas. Passamos, por exemplo, por quase toda a década de 90 vestindo calças com a cintura mais baixa. Quando o cós subiu _ uma imposição fashion_ a resistência do público jovem foi enorme. Mas, aos poucos, a modelagem foi emplacando...“A cintura alta afina e alonga a silhueta. Além do mais, ajuda a disfarçar a barriguinha”, diz Pollyana Buzzetti, gerente de produto da marca de jeanswear DBZ.

Já a skinny tornou-se hit com mais facilidade, uma vez que roupa justa é preferência nacional. Mas ela apresenta algumas dificuldades para o corpo violão das nossas mulheres, por ter barra afunilada e não valorizar quadris largos. Por isso, a flare voltou com força total. “Ela é, de novo, a queridinha do momento e deve continuar com fôlego em lavagens detroyer, delavê, com rasgados, puídos e marmorizados”, diz Guilherme Marconi.

Há quem retorne às origens oldschool. A Cavalera, por exemplo, desenvolveu sua coleção de verão 2015 com denim sem tratamentos especiais. “Procuramos ter um jeans com o menor recurso possível, algodão mesmo com a lavagem mais simples. É um jeans que não tem elasticidade e não tem tecnologia nenhuma”, diz Alberto Hiar, estilista da marca. Já a estilista Lilly Sarti, que teve o velho oeste como tema de sua coleção desfilada no São Paulo Fashion Week, abordou dois extremos. “A gente fez delavé e o dark blue, que lembra o velho oeste” afirma Lilly. O dark blue, sem detalhes, aparece também no corte clássico de Alexandre Herchcovitch. Já o delavê foi uma das principais apostas da Ellus.

Ilusão de ótica

Além modificar as peças em sua aparência e conforto, a tecnologia também pode dar um forcinha à modelagem de um par de jeans. Na primeira década dos anos 2000 ficaram mundialmente famosas as calças da Gang, responsáveis por levantar o bumbum das popozudas e rainhas do funk bailes afora. O sucesso foi tanto que os tais jeans chegaram a conquistar Beyoncé e Gisele Bündchen, que se renderam à tecnologia levanta-derrière da grife. “Nossa calça é diferente das outras. Ela tem a capacidade de levantar a autoestima e o bumbum de qualquer mulher”, dizia Alcyr Amorim, dono da label.

A onda das popozudas não acabou, mas não se ouve falar mais da Gang. As boas marcas de jeans, no entanto, permanecem na corrida pela valorização do corpo. (E como a gente sabe, comprar um jeans que nos valorize não é tarefa fácil). A Levi’s, por exemplo, criou o “Curve Guide”, um guia que leva em conta todas as curvas da mulher na modelagem da calça, passando por cintura, quadril, bumbum e coxas. Isso evita aquele problema de a peça se ajustar em uma região do corpo e ficar larga em outra. Já a DBZ criou o Elastfit. “É um elástico que modela o corpo e permite um conforto absoluto”, diz o estilista da marca, Guilherme Marconi, que garante o sucesso do produto entre a mulherada. “Além de serem peças confortáveis, também afinam a silhueta. Quem não quer se sentir magra em uma roupa?”, completa a gerente de produto Pollyana Buzzetti.

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