Momento de foco total

Atriz também ressalta retorno à Globo e reencontro com o autor Manoel Carlos, decisivo para sua volta à emissora

iG Minas Gerais |

Carinho. Vanessa Gerbelli conta que convite do autor Manoel Carlos pesou em sua decisão de voltar para a Globo
Luiza Dantas/CZN
Carinho. Vanessa Gerbelli conta que convite do autor Manoel Carlos pesou em sua decisão de voltar para a Globo

“Em Família” alterou severamente a rotina de Vanessa Gerbelli. Fora da TV desde 2012, ano em que acabou “Vidas em Jogo”, sua última novela nos oito anos em que ficou na Record, Vanessa passou quase dois anos levando uma vida mais contemplativa, dedicada à família, à pintura e a seus projetos teatrais. “Foi legal ter esse momento de repensar a vida e a carreira. Hoje, estou exatamente onde quero estar”, ressalta. Em meados do ano passado, a atriz começou a se preparar para dar vida a Juliana, a sofrida personagem escrita por Manoel Carlos especialmente para ela. De cara, Vanessa se impressionou com os dramas que teria de interpretar na novela: uma mulher em plena crise existencial e com a vontade de ser mãe na ordem do dia. No entanto, a intérprete só foi entender as complexidades do papel quando começaram as gravações. “O tom naturalista do texto me aproxima muito dos dramas vividos pela Juliana. São cenas difíceis, longas, tenho de estar muito concentrada. Parei tudo o que eu estava fazendo para me dedicar integralmente à novela. É um dos trabalhos mais intensos da minha carreira”, vibra, com olhos de satisfação. “Em Família” marca sua volta à Globo depois de oito anos na Record. Como é retornar à emissora que a lançou? É bem interessante. Não só porque minha estreia televisiva foi na Globo, mas, sobretudo, por essa volta ser em uma novela do Manoel Carlos. Tive personagens muito legais na Globo, em tramas como “O Cravo e A Rosa” e “Da Cor do Pecado”. Mas nenhuma teve o mesmo efeito e repercussão que a Fernanda de “Mulheres Apaixonadas”. Foi um papel que exigiu muito de mim e que me deu muitas alegrias. E depois disso nunca mais perdi contato com o Manoel Carlos. Ficaram a amizade e o carinho. Acho que é por isso que ele me convidou para “Em Família”. O processo de escalação para novelas globais começa cada vez mais cedo. Quando você ficou sabendo que faria a novela? Foi, mais ou menos, em meados de 2012. Eu estava acabando de fazer “Vidas em Jogo”, da Record, e precisava descansar. Na época, meu contrato estava para acabar também. Eles me procuraram e decidi não renovar. O convite para “Em Família” pesou nessa recusa, certo? Totalmente. Mas, em respeito à emissora que me deu tantas oportunidades, eu fiquei na minha e deixei as notícias sobre a minha volta à Globo acontecerem naturalmente. No passado, essa disputa entre atores era mais intensa. Hoje, vejo a porta mais aberta para esse intercâmbio. Gabriel (Braga Nunes), Marcelo (Serrado) e Bianca (Rinaldi) estão aí para provar. O importante é ter trabalho e investimento na área. É claro que tudo tem de ser feito com cuidado. É bom sair da emissora de forma legal, sem brigas e mágoas. “Em Família” está há quase quatro meses no ar e a trama de Juliana vem se destacando cada vez mais. Esse crescimento era esperado? Logo que começaram os ensaios, me surpreendi com essa fascinação dela pela maternidade. Logo depois, vi que esse sentimento era tão forte que chegava a parecer loucura. Ao ler o roteiro, comprovei que tudo poderia ir além. Ela perde as rédeas da situação quando o assunto é ser mãe. As complexidades da personagem foram surgindo aos poucos. Sabendo que ela passaria por uma alta carga dramática, me preparei bastante. Acho que, do ponto de vista emocional, é minha personagem mais desgastante. Por quê? Por conta dessa obsessão em ser mãe, em ficar com uma criança que não é dela. Juliana torna-se uma incompreendida. Ela também é carregada de complexidades que só as mulheres entendem. Nessa construção, minhas referências foram intuitivas. Mas também corri atrás, pesquisei e me inteirei sobre sintomas e doenças psiquiátricas. Neste sentido, ter a ajuda da (psicóloga) Kátia Achcar na composição foi primordial. É bacana ter uma visão de fora sobre o trabalho que você está realizando. Ao mesmo tempo em que é forte, Juliana precisa também de uma certa fragilidade.

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