Marcha da Maconha reúne 3.000 pessoas em São Paulo

Concentração ocorreu no vão-livre do Masp e seguiu pela avenida Paulista até o centro, sem conflitos com a polícia; à frente, grupo defendia uso medicinal da droga

iG Minas Gerais | Da Redação |

SP - MARCHA DA MACONHA/SP - GERAL - Participantes da Marcha da Maconha caminham pela Avenida Paulista, neste sábado (26),   sentido rua Augusta, em São Paulo. A concentração aconteceu no vão livre do Masp.   26/04/2014 - Foto: LEVI BIANCO/BRAZIL PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
ESTADÃO CONTEÚDO
SP - MARCHA DA MACONHA/SP - GERAL - Participantes da Marcha da Maconha caminham pela Avenida Paulista, neste sábado (26), sentido rua Augusta, em São Paulo. A concentração aconteceu no vão livre do Masp. 26/04/2014 - Foto: LEVI BIANCO/BRAZIL PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Centenas de pessoas participaram da Marcha da Maconha, que pede a legalização da droga, em São Paulo. De acordo com a Polícia Militar, cerca de 3.000 pessoas estiveram na marcha. Os organizadores do evento chegaram a estimar mais de 10 mil pessoas no ato.

A concentração ocorreu no vão-livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), de onde os manifestantes saíram em passeata pela Avenida Paulista, em direção à Praça Roosevelt, no Centro da cidade, onde o ato foi encerrado.

A marcha ocorre desde 2007 no Brasil. Em São Paulo, teve início em 2008. Neste ano, o lema foi "Cultivar a liberdade para não colher a guerra".

De acordo com o integrante do coletivo "Desentorpecendo a Razão" Rodrigo Vinagre, um dos organizadores do ato, a forma atual de combate às drogas está "falida", levando à morte e prisão os jovens pobres e negros. "Estamos aqui marchando pela paz e em busca de uma nova política para as drogas. A legalização da produção, distribuição e consumo da maconha é o primeiro passo para isso", disse ele.

Vinagre disse que a lei de 2006 criou a figura do usuário, com intuito de descriminalizar o consumidor, porém não definiu qual a quantidade para que o indivíduo seja considerado traficante ou não. "Essa lei é totalmente subjetiva, cabendo ao policial definir se a pessoa é usuária ou traficante. Assim, o branco de classe média é enquadrado como usuário, e um negro pobre da periferia como traficante, mesmo que estejam com a mesma quantidade".

Durante a marcha, os participantes receberam orientações de segurança. E uma das ideias era fazer um cordão de isolamento com intuito de reforçar o caráter pacífico do ato. "Queremos mostrar que não precisamos da tutela da polícia nem do Estado para fazer uma manifestação. A ideia também é não usar maconha durante o ato".

Uso medicinal

Em defesa do uso medicinal da substância, um grupo de pessoas, usuários da maconha para minimizar sintomas de diversas doenças, caminhou na frente da marcha. A artista plástica Maria Antônia Goulart, de 65 anos, teve câncer há sete anos e contou que usou a maconha com consentimento médico. "Isso me ajudou muito, porque a maconha reduziu meus enjoos e dores, me deu sono, fome, me tirou do foco da doença". Quando terminou o tratamento, ela parou de usar a planta. Em seguida, descobriu outra doença e retomou o uso para diminuir os efeitos da fibromialgia, síndrome que provoca dores por todo o corpo por longos períodos.

Gabriela Moncau, do bloco feminista da Marcha da Maconha em São Paulo, avaliou que o debate da legalização da droga está ligado à questão de gênero. "Tem o debate também do direito ao prazer. Até mesmo quando usam as drogas lícitas as mulheres são malvistas. Uma mulher sozinha em um bar, que bebe em uma festa ou que use qualquer outra droga é vista como disponível. O debate do direito ao prazer vem casado ao direito ao próprio corpo", disse.

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