Delegada reage a assalto e diz que com ela 'é tiro, porrada e bomba'

Policial aposentada chegava em casa, no bairro Palmares, na região Nordeste de Belo Horizonte, quando foi abordada; história fez sucesso no Facebook após mulher citar trecho de música da funkeira

iG Minas Gerais | CAROLINA CAETANO |

Delegada exibe em sua página no Facebook arma usada para atingir suspeito
DIVULGAÇÃO / FACEBOOK
Delegada exibe em sua página no Facebook arma usada para atingir suspeito

Uma delegada aposentada de Belo Horizonte vem fazendo sucesso no Facebook depois que resolveu compartilhar na internet o caso de uma tentativa de assalto contra ela, que aconteceu na última quinta-feira (24), no bairro Palmares, na região Nordeste de Belo Horizonte. Após o caso, em que o bandido foi baleado e acabou preso, a policial fez um post contando a situação e terminou dizendo que “bateu de frente comigo é tiro, porrada e bomba”, destacando o trecho da música “Beijinho no Ombro”, da funkeira Valesca Popozuda.

O crime aconteceu na tarde de quinta, no momento em que Rosely Baeta Neves chegava em casa depois de deixar a filha na escola. “Passei no supermercado e parei na porta do meu prédio para entregar as compras para minha empregada. Nesse momento, resolvi ligar para o meu marido, pois ia ao banco e queria saber quanto deveria sacar”, explicou a policial.

Enquanto conversava ao celular dentro do carro, uma Mitsubishi ASX, a mulher percebeu um homem se aproximando em uma motocicleta com baú. A princípio, ela pensou que fosse um entregador, mas, em seguida, o suspeito parou o veículo e anunciou o assalto. “Ele estava com uma pistola .40 e eu sempre ando com a minha calibre 45 debaixo das pernas. Quando ele mandou eu descer do carro, disse que estava de salto alto e, pelo carro também ser alta, desembarcaria devagar. Assim que saí do veículo saquei a arma e disse que era da polícia”, contou Rosely.

Quando ficou sabendo, o bandido pediu para a delegada ter calma e chegou a atirar uma vez. Por sorte, ela não se feriu. Segundo a aposentada, ela também disparou quatro vezes e, dois disparos atingiram a perna e o abdômen do suspeito. “Saí correndo atrás dele, chovia muito no dia. Só escutei uma mulher pedindo para eu descer do salto”, lembra com bom humor.

Após correr alguns quarteirões, ela voltou para o prédio e acionou a Polícia Militar. Na versão de Rosely, o homem foi localizado após dar entrada em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região. Ao levantar a ficha do criminoso, a polícia descobriu que ele morava no bairro Tupi. Ao chegar ao imóvel, policiais encontraram dois carros, sendo um dele um Bravo 0 KM. O assaltante teria participado, em data anterior, de duas “saidinhas de banco”, sendo que, em uma delas, levou R$ 60 mil.

“No dia do crime mesmo postei a história no Facebook, mas não imaginei que fosse repercutir tanto. No momento em que escrevia a mensagem, lembrei do professor de filosofia que colocou o trecho da música em uma prova e também resolvi colocar. Não sou fã da Valesca, mas já tinha visto o clipe”, disse a mulher.

Apesar da história ter acabado bem, Rosely alerta que o “cidadão comum” não deve reagir a assaltos. “Não indico ninguém a reagir. Eu tenho experiência e estava preparada. Se uma pessoa pensa em fazer isso, ela deve ter preparo emocional e técnico. Caso contrário, os cidadãos devem cobrar do Estado segurança. A sociedade virou refém de bandido. Pagamos muitos impostos e temos que ter segurança. A vida vale mais que qualquer bem”, finalizou.

A Polícia Militar informou que a motocicleta usada pelo suspeito na tentativa de assalto, Honda Falcon, de cor preta, foi apreendida por ter sido utilizada em uma ação criminosa. 

Carreira na Polícia Civil

Rosely Baeta Neves tem 48 anos e ficou na corporação por 30. Há oito meses, ela pediu a aposentadoria. Durante a carreira, a delegada passou pelas delegacias de Narcóticos, de Furtos e Roubos, Furtos e Roubos de Cargas e Departamento de Operações Especiais da Polícia Civil (Deoesp) de Belo Horizonte.

“Entrei na polícia com 18 anos e amo a minha profissão. Sempre trabalhei no setor operacional, nunca quis ser da área administrativa. Só no Deoesp ficou por dez anos. Mesmo aposentada, não vou deixar de cumprir meu dever como policial”, disse.

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