Levir não fará milagres

iG Minas Gerais |

A demissão de Paulo Autuori mostra que a diretoria do Atlético entende de futebol, o que não é novidade. O que não deu para compreender foi a contratação dele, feita pela mesma diretoria. Acho que não tinha outro. Quando Autuori foi anunciado pelo Galo, comentei com os colegas de redação que sua passagem pelo clube não duraria três meses. Errei, durou três meses e alguns dias, levando-se em conta a data em que ele começou a treinar o elenco, e não o dia do anúncio de sua contratação. Digo isso para mostrar que, assim como eu, 95% da torcida achava a mesma coisa, pois a rejeição ao treinador foi grande desde sempre, e não tinha como ser diferente. Ele vinha de fracassos retumbantes no Vasco e no São Paulo após anos no exterior e tem um perfil que não agrada à Massa, calmo e formal em demasia, ainda mais após a passagem histórica do visceral Cuca pelo comando da equipe. Acho que a gota que transbordou o copo de Autuori não foi a derrota na Colômbia nem o futebol horroroso apresentado contra o Atlético Nacional na última quarta-feira, mas sim a irritante e incompreensível apatia do treinador no banco de reservas. Colocar o Guilherme e o Marion aos 40 do segundo tempo é brincadeira, e de muito mau gosto. Guilherme, aliás, que já deveria ser titular do Atlético no lugar de Ronaldinho Gaúcho, que ainda não jogou nada em 2014, e que Autuori não teve coragem de colocar no banco. Mas é vida que segue! Segue mais ou menos! Se Ronaldinho, Tardelli, Fernandinho e Pierre continuarem jogando o que vêm jogando, Levir Culpi terá muitas dificuldades para acertar o Galo. Não que o resto do time esteja tão bem assim, com exceção de Victor, que deveria ser o número 1 da seleção brasileira na Copa do Mundo. Mas esses atletas que citei estão “inexplicavelmente” atuando de maneira ridícula. O resto do time tem tido jornadas menos ruins, mas muito longe de satisfatórias. Agora, se, com a chegada de Levir Culpi, a rapaziada começar a correr e a marcar como fazia em 2013, alguma coisa errada havia entre o elenco e o treinador que saiu. Levir tem história no Atlético, conhece Belo Horizonte, a torcida, a Cidade do Galo e pode recuperar o futebol da temporada passada, principalmente o do primeiro semestre. Contudo, o prosseguimento da equipe na Libertadores será fundamental. O time tem condições de passar pelos colombianos na próxima quinta-feira, pois vai jogar em casa, com o apoio e, mais ainda, com a cobrança da Massa, que não vão deixar que os jogadores façam o que fizeram, ou melhor, o que não fizeram na Colômbia. Caso o Atlético seja eliminado, todo o foco deve ficar no Brasileiro, já que a equipe vai disputar também a Copa do Brasil. Não interessa se a Copa do Brasil é o caminho mais curto para a Libertadores. O que a torcida mais quer, depois do Mundial de Clubes, é o título do Brasileirão, que não vem desde 1971. Se o Cruzeiro também não avançar na Libertadores, ou seja, se não for campeão, a vida de Levir Culpi será mais fácil no Galo. Por falar em Cruzeiro, a equipe terá uma missão difícil no Paraguai, na quarta-feira, no jogo de volta das oitavas de final da Libertadores. Espero que ambos sigam na competição, mas creio ser a missão celeste, mesmo fora de casa, mais fácil do que a alvinegra. O motivo é o momento diferente vivido pelos times, mesmo sem a Raposa estar voando como no ano passado.

Homenagem. Minha última coluna foi publicada horas antes da morte precoce de Luciano do Valle, o melhor, disparado, de todos os tempos. Além de ter sido o narrador que foi, fez do esporte olímpico brasileiro – leiam-se todos os outros sem ser o futebol – o que ele é hoje. Poderia ser muito mais, mas Luciano, infelizmente, nunca presidiu uma CBV, uma CBB ou um COB. Na teoria e na lisura, seria muito melhor dos que estiveram e dos que estão aí.

Testemunha ocular. Na década de 80, estava eu no Brinco de Ouro, em Campinas, assistindo a um Guarani e Corinthians, quando saiu um gol do time visitante. Um torcedor do Bugre achou que Luciano do Valle, torcedor confesso da Ponte Preta, gritou gol entusiasmado demais e tentou discutir com ele, que estava no ar. Covardemente, deu um tapa na cara do Luciano, que não reagiu e continuou trabalhando em respeito a seu público. Falar mais o quê?

 

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