Vargas Llosa critica modelo ‘fracassado’ criado por Chávez

Nobel de literatura diz que Venezuela retrocedeu nos últimos 15 anos, o que criou uma ‘catástrofe’

iG Minas Gerais |

Debate. Llosa, ao centro, criticou o governo de Maduro e mostrou apoio à luta dos estudantes venezuelanos para conter a inflação
Fernando Llano
Debate. Llosa, ao centro, criticou o governo de Maduro e mostrou apoio à luta dos estudantes venezuelanos para conter a inflação

Caracas, Venezuela. Ao mesmo tempo em que o governo e a oposição da Venezuela abriam a terceira rodada de um diálogo de conciliação, o nobel de Literatura Mario Vargas Llosa criticou anteontem o modelo socialista do governo venezuelano, dizendo que apresenta um “anacronismo radical”, que levou o país sul-americano a uma crise que exibe a inflação mais alta do continente e um fraco desempenho econômico.

As declarações foram feitas durante um fórum em Caracas, organizado pela associação civil Centro de Divulgação do Conhecimento Econômico para a Liberdade (Cedice), que defende as liberdades individuais, a propriedade privada e o livre-mercado. Llosa criticou a possibilidade de as reuniões serem um pretexto para que o governo ganhe tempo ante os protestos que, desde fevereiro, deixaram 41 mortos.

“O diálogo deve buscar fórmulas para pacificar o país. Mas eu só acredito que isso seja possível por meio da correção de medidas básicas para evitar, por exemplo, a escassez”, afirmou.

O escritor peruano disse também que os venezuelanos se equivocaram 15 anos atrás ao apoiar Hugo Chávez e seu “modelo fracassado”, que criou uma “catástrofe econômica” no país. Crítico dos governos de esquerda na América Latina, Vargas Llosa afirmou, porém, que suas declarações políticas não têm a intenção de serem provocadoras.

“A Venezuela se empenhou nos últimos 15 anos em retroceder cada vez mais e se aproximar dos exemplos mais patéticos de fracassos econômicos, políticos e sociais, como Cuba e Coreia do Norte, os últimos expoentes do socialismo real no mundo”, acrescentou.

Em 2009, durante sua última visita à Venezuela, o escritor foi retido pelas autoridades no aeroporto internacional de Caracas durante quase duas horas antes de permitirem sua entrada no país.

O falecido presidente Hugo Chávez negou na época que ele tivesse sido retido no terminal aéreo e comentou que o escritor vinha “ofender” e “provocar”.

Vargas Llosa afirmou, ainda, que apoia a luta dos estudantes venezuelanos que, há quase três meses, protagonizam a pior onda de protestos em mais de uma década no país, buscando frear a elevada inflação, a recorrente escassez de produtos básicos e a segunda taxa de homicídios mais elevada do mundo.

Trajetória

Política. Em 1990, Vargas Llosa, um dos mais importantes romancistas e ensaístas contemporâneos, se candidatou à Presidência do Peru e perdeu para Alberto Fujimori, atualmente preso.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave