Bernardo não foi enterrado vivo

Peritos concluem que garoto de 11 anos estava morto quando foi colocado na cova em matagal

iG Minas Gerais |

Suspeitos. O pai, Leandro Boldrini, e a madastra Graciele Ugolini, estão presos no Rio Grande do Sul
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Suspeitos. O pai, Leandro Boldrini, e a madastra Graciele Ugolini, estão presos no Rio Grande do Sul

PORTO ALEGRE. Um laudo elaborado por peritos do Rio Grande do Sul concluiu que o garoto Bernardo Boldrini, encontrado morto na semana passada, não foi enterrado vivo. De acordo com a Polícia Civil, não foram achados resíduos de minerais no pulmão do menino nessa perícia, o que descartou a hipótese.

O corpo de Bernardo foi achado numa cova rasa em um matagal em Frederico Westphalen (a 447 km de Porto Alegre). O pai dele, Leandro Boldrini, a madrasta, Graciele Ugolini, e a assistente social Edelvânia Wirganovicz estão presos suspeitos de participar do crime.

A promotora da Infância e Juventude da cidade gaúcha de Três Passos, Dinamárcia Maciel de Oliveira, pediu à Justiça o bloqueio dos bens do cirurgião Leandro Boldrini, 38, suspeito de assassinar o próprio filho, Bernardo Boldrini, 11. Além do médico, sua mulher, Graciele Ugolini, 32, e a assistente social Edelvania Wirganovickz, 40, estão presos suspeitos de participação no crime.

“O MP quer evitar que o Leandro possa vir a se desfazer desses bens para pagar a própria defesa. Entendemos que é imoral que isso aconteça. A vítima não pode financiar a defesa de seu algoz”, avalia Dinamárcia.

Junto com essa ação, Dinamárcia protocolou uma medida cautelar protetiva, para que Leandro e Graciele percam a guarda da filha, de um ano e seis meses.

“Os pais realmente não estão com a guarda dela, de fato, pois estão presos. A criança está transitando pelas casas dos familiares sem que a Justiça tenha sido comunicada para regularizar a situação”, explica a promotora. “Se algo acontece com essa criança hoje, o Estado poderia ser responsabilizado, porque segregou os pais e não tomou providências sobre a guarda.”

Dinamárcia acredita que, mesmo que o casal seja posto em liberdade dur ante o provável processo, não é seguro para o bebê permanecer sob seus cuidado.

No dia 4 de abril, Bernardo foi levado de uma cidade a outra na companhia da madrasta como intuito de ganhar uma televisão e visitar uma benzedeira. Em Frederico Westphalen, eles se encontraram com Edelvania. Horas depois, as mulheres foram flagradas por câmeras de segurança de um posto de gasolina sozinhas.

Advogado da avó diz ter novas provas Rio Grande do Sul. O advogado da família da mãe biológica de Bernardo entregou à polícia na quinta-feira documentos com provas que, segundo ele, demonstram o abandono do médico Leandro Boldrini em relação ao filho. “Há provas e elementos que demonstram uma sequência de atos na linha do tempo. Que começa com essa indiferença, com esse maltrato do menino, terminando com óbito do mesmo”, disse o advogado Marlon Taborda. Vanderlei Pompeu de Matos, advogado de Graciele, disse que ainda está se inteirando do fato e que, em breve, ela poderá apresentar a versão dela.

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