Haitianos, enfim, recebem colchão e alimentos

Estrangeiros ficaram duas semanas dormindo no chão em SP e fazendo apenas uma refeição por dia

iG Minas Gerais |

Prefeitura de SP demorou a ajudar os haitianos vindos do Acre
Nelson Antoine
Prefeitura de SP demorou a ajudar os haitianos vindos do Acre

SÃO PAULO. Depois de duas semanas mal dormidas no chão de um salão da Pastoral do Migrante, no Glicério, região central de São Paulo, os imigrantes haitianos vindos do Acre e que permanecem sob tutela da igreja receberam ontem, 25, colchões para deixarem de dormir no chão duro.

A prefeitura começou também a fornecer marmitas para os refugiados. Até quinta-feira, eles estavam fazendo apenas uma refeição por dia. Agora, de acordo com o padre Paolo Parise, está garantida a alimentação com café da manhã, almoço e jantar. Ontem também começou um mutirão liderado pelo Ministério do Trabalho e Emprego para regularizar a situação legal dos refugiados.

A maior parte dele chegou do Acre já com Cadastro de Pessoa Física (CPF) e com a permanência no Brasil regularizada. Mas a falta da carteira de trabalho foi o principal entrave burocrático. Sem o documento, empresas que chegaram a oferecer emprego para os refugiados não puderam fazer as contratações deles. “O que precisamos, agora, é ter certeza de que o mutirão não será feito só hoje (sexta-feira). Ainda há muitos que estão sem documento. O processo precisa durar mais dias”, disse o padre.

Na noite desta quinta, o superintendente do ministério, Luiz Antônio Medeiros, havia prometido que a situação de todos os refugiados estaria regularizada até a próxima segunda-feira, 28. A ida de haitianos para São Paulo provocou discussões entre os governos do Acre e de São Paulo. Na última quarta-feira, a secretária de Justiça de São Paulo, Eloisa Arruda, chamou de “irresponsável” o procedimento do governo acreano de facilitar o deslocamento de 400 haitianos a São Paulo nas últimas duas semanas..

Na quinta-feira, o governador do Acre, Tião Viana (PT), rebateu as críticas e atacou a “elite paulista” de preconceituosa. O petista recorreu a redes sociais para se posicionar.

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