Novas narrativas do teatro

Projeto "Janela de Dramaturgia" abre terceira edição tentando mostrar a produção de autores da cena contemporânea da cidade e de fora

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Contemporâneos. Dramaturgos da nova edição do Janela de Dramaturgia, que este ano terá a participação de autores de outros Estados
ETHEL BRAGA
Contemporâneos. Dramaturgos da nova edição do Janela de Dramaturgia, que este ano terá a participação de autores de outros Estados

O escritor argentino Jorge Luis Borges dizia que o acontecimento de algo pela primeira vez se devia ao acaso, a segunda seria coincidência, mas a terceira, a sua confirmação. O projeto Janela de Dramaturgia, ao chegar na sua terceira edição, confirma sua importância no cenário teatral de Belo Horizonte. A programação começa hoje, com rodas de conversa, leituras de textos e exposição de ideias, no espaço Centroequatro.

“Quando começamos o projeto, nosso desejo mais forte, o embrião, era pensar na difusão da dramaturgia produzida aqui, feita por autores de Belo Horizonte”, destaca Vinícius Souza, ator, dramaturgo e um idealizador do projeto, ao lado de Sara Pinheiro.

Para além disso, a ideia da dupla centrava o projeto em três frentes que buscavam sempre o olhar externo. “São três porquês do Janela na cidade: divulgar os autores daqui, numa dimensão crítica e artística, mas também política; fomentar essa escrita, isso já acontece na medida que as pessoas assistem a uma leitura e buscam produzir, sabendo que existe esse espaço; e, por fim, discutir essa dramaturgia, por meio de uma produção crítica e do debate com pessoas convidadas”, revela ele.

O projeto consiste na leitura dramática de textos inéditos com debates ao final. Essa edição contará com a participação de autores do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. “Ao mesmo tempo que é importante valorizar o que é feito aqui, precisamos dialogar com a dramaturgia produzida em outros lugares, até para o projeto não parecer provinciano. Então, trazemos esses autores como forma de arejar e fomentar nossa dramaturgia”, revela Souza.

Além disso, na seleção dos textos, Souza e sua parceira, Sara Pinheiro, contaram com a colaboração de outro dramaturgo: André Felipe, de Santa Catarina, que dará uma oficina de produção dramatúrgica, “Como se Transforma um Texto em Hipopótamo?”, no final de maio.

No total, foram selecionados 12 textos de 13 autores que se apresentarão ao longo deste ano, sempre no Teatro Espanca. “Essa curadoria seguiu várias vias: o mais convencional foi receber e ler o texto. Também houve outras pessoas que nos falaram de uma ideia de texto e ainda não lemos o texto finalizado, e ainda convidamos pessoas que gostaríamos de ter no Janela e fizemos uma provocação para a escrita”, ressalta Souza.

Ao tentar falar sobre o que une esses 12 dramaturgos e sua produção, ou mesmo sobre aquilo que tange a escrita contemporânea para teatro, o artista se diz incapaz de estabelecer preceitos ou temáticas que sejam recorrentes nessa produção. “Não posso falar pela produção como um todo, mas falando das dramaturgias que são apresentadas no janela. Vemos que o fato de ser uma proposta de leitura dramática faz com que os textos sejam produzidos tendo a palavra como foco. Isso pode parecer redutor, mas nosso projeto é a prova de que não. A palavra desdobra o que pode ser o teatro e a dramaturgia. O tanto que isso é motivador: uma quantidade de textos que podem existir no papel e na cena”, avalia ele.

Legado. Ao chegar em sua terceira edição, Souza esmiuça os desdobramentos do Janela: “O mais óbvio deles, justamente, é que os textos virem espetáculos. Isso tem acontecido. Por exemplo, ‘Get Out’, ‘Fábrica de Nuvens’, ‘Isso É Para Dor’ – que foi lido duas vezes em momentos diferentes –, são peças que foram encenadas por conta do projeto. Um texto do Marcos Coletta, ‘Anã Marrom’ também vai virar uma montagem, já está em processo. Mas há também uma reverberação indireta também que faz com que dramaturgos possam ser conhecidos aqui e sejam convidados para escrever textos para outros projetos”, destaca.

  • Agenda
  • O quê. “Janela de Dramaturgia”
  • Quando. Hoje e amanhã, a partir de 16h
  • Onde. Centroequatro (praça Rui barbosa, 104, centro)
  • Quanto. Gratuito
  • Programe-se

    Neste fim de semana, serão lidos “O Narrador”, do carioca Diogo Liberano, e “Frames – Um Ensaio para R.W. Fassbinder”, do gaúcho Diones Camargos.

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