O exagerado está vivo

iG Minas Gerais | Giselle Ferreira (*) |

Elogiado ator e cantor Emílio Dantas (na foto, ao centro) protagoniza espetáculo musical que conta com mais de 30 canções para reviver início, meio e fim da carreira de Cazuza
Leo Aversa/Divulgação
Elogiado ator e cantor Emílio Dantas (na foto, ao centro) protagoniza espetáculo musical que conta com mais de 30 canções para reviver início, meio e fim da carreira de Cazuza
Cazuza foi o porta-voz da geração do desbunde. Ele nunca teve saco para “milico”, desfile, gente chata, gente com medo. “Pra mudar alguma coisa a gente teve que gritar. Ir pra rua, enfrentar nossa própria fraqueza. Era uma maneira de não se render, e não ficar careca, careta”, disse certa vez. Em outra ocasião, cuspiu na bandeira verde e amarela que lhe jogaram ao palco, por julgar que ela só deve ser amada e respeitada no dia em que nela estiver escrita alguma verdade. No embalo do vibrante momento político que vive o país – com manifestações e protestos explodindo por vários cantos, faz-se pertinente contar a história do poeta, compositor e cantor que deu a cara a tapa para falar o que quis e romper com os discursos pré-fabricados e pobres sobre a “grande pátria desimportante”.    Com direção de João Fonseca, o musical “Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz” chega a Belo Horizonte para quatro apresentações a partir desta quinta (1º), no Grande Teatro do Palácio das Artes. Vinte e três anos depois de sua morte, a primeira adaptação da história do ícone para os palcos se divide em dois atos, que abrangem desde o ingresso de Cazuza no teatro até sua batalha contra a Aids. “Vivemos um momento em que as pessoas voltaram a brigar por seus direitos e, por isso, nos pareceu que esta seria uma atmosfera bem propícia para trazer o Cazuza à tona. Ele não só construiu uma obra incrível, como também teve uma vida incrível e muito corajosa, de discursos muito importantes. É uma boa maneira de tratar um pouco de assuntos relevantes para este país, também”, conta Fonseca, que dirigiu a montagem de “Tim Maia – Vale Tudo” e prepara para estreia nos próximos meses outro musical inspirado na biografia de Cássia Eller.    Dezesseis atores, sete músicos e 31 canções são os números do espetáculo, que tem pouco menos de 3 horas de duração. “A direção do João é muito legal por nos fazer fugir um pouco do esquema: as músicas entram como comentários em cima de cada cena – ‘Maior Abandonado’, por exemplo, entra como em um show e representa o ápice do sucesso do Barão; ‘Mais Uma Dose’, pontua a ‘porralouquice’ dele e do Ezequiel (Neves, produtor musical morto em 2010 e coautor de “Exagerado” e “Codinome Beija-Flor”) e ‘Poema’ fala da época da descoberta da doença”, conta o protagonista Emílio Dantas, que vem colhendo inúmeros elogios desde as primeiras audições.  “Quando a Lucinha (Araújo, mãe de Cazuza) assistiu e aprovou, senti que estava no caminho certo pra continuar trabalhando”, desabafa o ator e cantor, que chegou a emocionar Ney Matogrosso por sua atuação e afinação precisas. Ele canta um tom acima do seu e força a língua presa – coisa que faz com que tenha dores de cabeça frequentes. Seu esforço, porém, já está e continuará sendo devidamente reconhecido. “Ele é deslumbrante. Ainda vão ouvir falar muito do Emílio”, profetiza Fonseca.   Especial para o Pampulha (*)   Cazuza - Pro Dia Nascer Feliz Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, centro, 3889-2003). Quinta (1º) e sexta (2), às 21h, sábado (3), às 21h30, e domingo (4), às 17h. R$ 200 (inteira, plateia 1), R$ 170 (inteira, plateia 2), R$ 120 (inteira, plateia superior, setores H, I e J) R$ 50 (preço único, plateia superior, setores K, L, M e N) 

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