Prefeitura banca remédios caros para ex-secretário

Dono do Pitágoras recebeu dez caixas de medicamentos ao custo de R$ 43 mil; doação foi definida por gabinete do prefeito

iG Minas Gerais | Da Redação |

Servidores da Secretaria Municipal de Saúde, em estado de greve desde a semana passada, procuraram a reportagem de O Tempo Betim para denunciar o fornecimento de remédios de alto custo para paciente de fora da cidade a pedido do gabinete do prefeito.

As fontes, que pediram para não ser identificadas, disseram que a orientação repassada aos funcionários é de negar para a população o fornecimento de alguns remédios caros e que não sejam cobertos por convênios do Sistema Único de Saúde (SUS), porém, enquanto esse benefício é negado aos mais carentes, amigos do prefeito recebem doações que somam milhares de reais.

Para os mais próximos do alto escalão governamental, obter um medicamento caro não é tarefa tão complicada assim. Um único exemplo causou revolta nos servidores, que provaram suas denúncias com a apresentação de muitos documentos.

Em novembro de 2013, por exemplo, a prefeitura autorizou o fornecimento do Voriconazol de 200 mg, ao custo total de R$ 43.630, para atender o empresário e ex-secretário municipal de Educação, Carlos Abdalla.

“A nossa revolta se deve à circunstância em que o sistema de saúde se encontra. Estão faltando remédios básicos em várias unidades municipais, porém, o atendimento ao amigo do prefeito foi garantido, sem a menor cerimônia”, disse um servidor.

A doação é criticada ainda pelo fato de Abdalla ser um rico empresário, que realiza seu tratamento no hospital paulista Sírio-Libanês, considerado o mais equipado e importante do Brasil e da América Latina, famoso por acolher chefes de Estado, como o presidente Lula e seu vice, José de Alencar. O ex-secretário, que tem residência fixa em Belo Horizonte, é dono de uma rede de escolas particulares com unidades em diferentes municípios de Minas Gerais.

Em Betim, Abdalla é o proprietário do Educare/Pitágoras e de outras três escolas infantis, incorporadas com o nome de Educare/Apogeu.

Afastamento

Carlos Abdalla, que se afastou da secretaria em junho de 2013, está se tratando de uma leucemia mielóide aguda, tipo de câncer no sangue que se caracteriza pela proliferação de células anormais e malignas que se acumulam na medula óssea.

Ele mesmo alugou um flat no Jardim Paulista, bairro de classe alta da Zona Oeste de São Paulo, região conhecida como Jardins.

Apesar de ter recursos suficientes para bancar seu tratamento e de ter total independência com Betim, foi para ele que a prefeitura encaminhou, por determinação do prefeito, dez caixas de Voriconazol. Cada caixa do remédio custou aos cofres públicos betinenses R$ 4.363.

A reportagem teve acesso à uma solicitação feita pela coordenadora de suprimentos da Secretaria Municipal de Saúde, Marlene Dias Teixeira. O ofício não tem data, mas a nota fiscal, de cinco das dez caixas encomendadas pela prefeitura à empresa Help Farma Produtos Farmacêuticos, com sede no bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte, é de 8 de novembro de 2013.

Marlene Teixeira, responsável pelo memorando solicitando o remédio em nome de Carlos Abdalla, disse que “agiu sob orientação da Procuradoria Geral do Município”. Já o secretário municipal de Saúde, Mauro Reis, alegou que “o SUS é universal e não faz distinção entre pessoas ricas e pobres”.

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