Saneamento das polícias

iG Minas Gerais |

É momento de repensar as políticas públicas de segurança e de combate à violência. O país se aproxima de uma situação extremamente preocupante, em que as suspeitas de crimes por parte das forças policiais crescem e aparecem, cada vez mais, nos veículos de comunicação. Casos como o do pedreiro Amarildo ou do dançarino DG ganham repercussão internacional e revelam para todo o mundo pelo menos duas coisas: a violência no Brasil, especialmente nas comunidades que estão posicionadas ao redor de regiões consideradas nobres das grandes cidades, é uma realidade inconteste e a atuação das polícias tem sido ineficiente e, pior, tão ou mais violenta do que a dos bandidos. Políticas de prevenção e redução da criminalidade que obtiveram resultados positivos já são conhecidas. Foram implementadas na Itália – no esforço de conter o crescimento das chamadas “máfias” –, em Nova York, quando o tráfico de drogas e os grupos de extermínio proliferavam, e em Medellín e Bogotá, na Colômbia, também para combater o tráfico de drogas. A implementação das unidades pacificadoras nas comunidades brasileiras tem com espelho a experiência colombiana. O ex-governador Sérgio Cabral esteve, na companhia do senador Aécio Neves – então governador de Minas Gerais – e do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, na Colômbia para conhecer as políticas públicas implementadas naquele país. Por que o Brasil encontra tantas dificuldades para fazer o mesmo? É preciso lembrar que em todos esses lugares citados aconteceram intervenções nas comunidades, mas também no interior das forças policiais – o que ainda não aconteceu no Brasil. Há cerca de três décadas, fala-se em “banda podre das polícias”, mas, até o momento, a única coisa que se fez foi apelidá-las. Nada mais foi realizado. E o que teria que ser feito? A receita é também conhecida: separar o joio do trigo. Certamente grande parte das polícias é formada por pessoas honestas e trabalhadoras. Então é necessário que aqueles grupos que são constituídos de bandidos sejam afastados sumariamente. Para os que ficarem, é mais do que necessária a valorização: aumento de salário e melhorias nas condições de atuação. Nada vai adiantar invadir morros e expulsar de lá traficantes se as unidades pacificadoras que ocuparem essas comunidades estiverem dominadas por policiais corruptos e ligados à marginalidade. Não há outra solução. É preciso mexer nas polícias. Isso pode até não render voto agora, mas vai resolver um problema sério. Esse seria o início do caminho para a garantia da paz urbana no Brasil. Não deve ser muito fácil de fazer, certamente. Mas o brasileiro exige essa paz e vai cobrar de seus representados.

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