Nossas precariedades vão até um bufê sob toldo

iG Minas Gerais |

acir galvao
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Os turistas estrangeiros daqui a pouco chegarão para a Copa do Mundo. Historicamente, acredito que veremos o ápice de sua presença no Brasil e é possível que o recorde se mantenha por décadas. Ainda assim as notícias dão conta de que o número deles ficará aquém da expectativa inicial.  Também, com a quantidade de notícia ruim no campo da segurança pública, já era de se esperar. Vinte mil mortes violentas por ano é estatística que faz inveja a Síria, Iraque e Afeganistão... O setor hoteleiro aos poucos parece cair em si, percebendo que superestimou seus investimentos face ao tempo reduzido em que a taxa de ocupação atingirá o seu limite máximo. Um dado silencioso e nada desprezível trabalhará contra os hotéis: a expansão de negócios como o do criativo site www.airbnb.com, que eu próprio testei, recentemente, na Europa, com motivos de sobra para elogio. Já são 20 mil imóveis cadastrados no Brasil para aluguel de temporada! Impressionante. Tomara que as pessoas, as famílias, façam a diferença em matéria de hospitalidade, porque é justamente aí que mora a gostosura do nosso país e a chance de driblarmos a ineficiência institucional pública e privada para lidar com experiências como esta da Copa do Mundo. Quem sabe um feijão caseiro, uma generosa panela de vaca atolada no fundo do quintal, cerveja gelada, samba no pé e muita alegria não acabem mesmo produzindo sensações no turista capazes de superar as decorrentes falta de planejamento e organização. No fundo, é com isso que contamos ao ver tanta coisa desarranjada. Tapumes em aeroportos a esta altura escandalizam, trechos inacabados de vias de acesso essenciais preocupam, mortes de operários por falta de segurança nas obras dos estádios horrorizam. E o que dizer de um hotel como o Caesar Business, um dos nossos melhores, que ainda não conseguiu finalizar as obras de reforma do seu restaurante e enquanto isso vai improvisando seu bufê debaixo de um toldo de festa e sobre piso de madeira, que range sob os pés enquanto a clientela circula? Levando em conta a simpatia e gentileza do maître, eu até poderia perdoar esse sintoma de falta de planejamento, que, como se pode ver, não é atributo somente governamental. Mas depois de provar o contrafilé ressecado, com um molho madeira para lá de ácido, e o feijãozinho de caldo, patrimônio cultural da pátria, indigno de ser servido a um gringo, francamente, não dá. A R$ 54 por cabeça, o bufê segue sofrível e só é bom na qualidade das verduras e legumes, cozidas no tempo certo, exuberantes. Tempere-as no prato, porque o azeite é bom, assim como o vinagre, o sal e a pimenta. Tudo mais se situa entre o ruim e o regular. 

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