Motorista ignora lei e abusa de estacionamento proibido

Há carros em área reservada para viaturas e em ponto de carga e descarga; rotativo é desprezado

iG Minas Gerais | Jáder Rezende |

Na praça Afonso Arinos, no centro, carros ocupam vagas de viatura
JOAO GODINHO / O TEMPO
Na praça Afonso Arinos, no centro, carros ocupam vagas de viatura

Motoristas que trafegam pelas ruas de Belo Horizonte usam e abusam dos locais impróprios ao estacionar seus veículos. Só no primeiro trimestre deste ano, foram aplicadas 66.834 multas por estacionamento proibido, uma média de 742 por dia, a maioria delas relacionada a estacionamento em desacordo com a regulamentação do rotativo e paradas em locais e horários proibidos. Os dados são da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds).  

A reportagem de O TEMPO percorreu ruas da capital e flagrou vários exemplos do desrespeito às leis. Em um dos casos, na avenida Álvares Cabral, no centro, motoristas não respeitavam nem mesmo as vagas destinadas a viaturas policiais. Casos de falta do rotativo e estacionamento em pontos de carga e descarga também são comuns.

A média de pontos na carteira por estacionamento irregular varia de três a cinco, sendo que a considerada mais grave, parar em fila dupla, acarreta multa de R$ 127,69. Essa “modalidade”, recorrente principalmente durante o período letivo, gerou quase 2.100 multas entre janeiro e março deste ano, número similar ao do mesmo período do ano passado.

Mas a infração do gênero mais praticada pelos belo-horizontinos é estacionar em pontos de embarque e desembarque de ônibus – houve um aumento de 81,3% na comparação entre o primeiro trimestre de 2013 e o mesmo período de 2014. Em seguida está parar em vagas reservadas a táxis, com aumento de 74,9%, e ocupar vagas reservadas a portadores de necessidades especiais, com elevação de 17,4%.

Análise. O engenheiro especialista em transporte Osias Batista observa que as infrações de trânsito nada mais são que um reflexo do que ocorre na sociedade. “É cada vez mais comum ver cenas de desrespeito em filas de estabelecimentos onde idosos, por exemplo, têm prioridade. Não temos líderes que falem de ética, bom comportamento, virtude. E essas ações refletem no trânsito”, pondera, considerando ainda que nem mesmo as campanhas educativas conseguem cumprir seu papel.

O velho hábito de estacionar em fila dupla também é criticado pelo especialista. “Os pais que fazem isso na porta das escolas ensinam os filhos a serem desonestos também”, diz. A BHTrans e o Batalhão de Trânsito da Polícia Militar não se manifestaram.

Denúncias

Dados. De acordo com a BHTrans, denúncias de estacionamento irregular corresponderam, em 2013, a 49% da média de 3.230 atendimentos registrados mensalmente pelo telefone 156.  

Talão rende R$ 1,5 milhão A arrecadação com o sistema de estacionamento Faixa Azul em Belo Horizonte chega a R$ 1,5 milhão por mês, e essa modalidade de estacionamento é cada vez mais ampla na cidade: são 70 mil vagas. Os recursos oriundos dessa cobrança são destinados, de acordo com a BHTrans, a melhorias no sistema viário, remuneração dos pontos de venda, confecção e distribuição de talões.

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