Versões de uma mesma cantora no palco

Projeto Som Clube inicia série de apresentações na praça da Savassi com show da cantora e atriz Alessandra Maestrini

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Thiago Petit, no dia 2, e Marcelo Jeneci, no dia 9, são as próximas atrações do projeto
Rodrigo Schmidt
Thiago Petit, no dia 2, e Marcelo Jeneci, no dia 9, são as próximas atrações do projeto

Quem assistiu a pelo menos um capítulo da série “Toma Lá Dá Cá”, série exibida pela Globo entre 2007 e 2009, com certeza se lembra da doméstica Bozena. Vinda da cidade de Pato Branco, a caricata personagem foi interpretada por Alessandra Maestrini, que também dissipa talento nos palcos como cantora. É ela quem abre a programação do projeto musical Som Clube, hoje, na praça da Savassi.

Dona de uma bela e sóbria voz, Alessandra lançou o álbum “Drama’n’Jazz”, que traz canções de bossa nova e jazz. O disco é composto por 13 faixas cantadas em português e em outras línguas. Entre estas, destaca-se a versão em inglês de “Eu Te Amo”, de Chico Buarque. “Mandei para ele olhar e fiquei muito contente com a aprovação”, comenta a cantora, que consegue conter a euforia para completar: “Ele disse que minhas versões ‘são muito fiéis às atmosferas e poesia das músicas originais’”.

Elogios como esse não vêm do nada. Desde 1997, ela faz uso de suas habilidades vocais para compor personagens de musicais em que atuou, entre eles a “Ópera do Malandro” e a megaprodução “Os Miseráveis”. “Eu sempre me via como uma atriz que tinha a voz como um instrumento de trabalho e nada mais”, comenta Alessandra.

Mas sua voz era mais que um recurso e, no fundo, ela sabia. Mesmo assim, relutou um pouco até assumir, nas palavras dela, a “persona” cantora. “Com a volta do retorno de Saturno e um bocado de análise, eu comecei a ‘enxergar’ minha voz no palco”, brinca.

Assim, vem trilhando um caminho seguro como intérprete de standards de jazz, bossa nova e até mesmo música popular brasileira e, como se não bastasse, é também a própria produtora. “Sempre me perguntam como consigo conciliar as duas carreiras, de atriz e cantora. E, olha, vou te confessar que o trabalho na produção é o que me toma mais tempo”, revela Alessandra.

O lado atriz, porem, não a abandona quando solta a voz no palco. “Nos meus shows, eu brinco com personagens diferentes dentro da cada música, mas na verdade, quando estou cantando a sensação que tenho é de nudez, de estar totalmente exposta. Mas eu sou atriz e sou cantora, e não tem como abandonar quem eu sou”, diz.

O resultado é uma presença cênica marcante em seus shows. Uma das pessoas que notaram isso foi a produtora cultural e idealizadora do Som Clube, Maria Alice. “A presença da Alessandra é sensacional. Não há uma criatura no mundo que saia de um show dela sem ser modificado”, afirma.

O apreço por esse trabalho fez com que Maria Alice incluisse a cantora em sua lista de artistas com quem frequentemente trabalha, e a parceria já rende três anos. “Ela sempre está nos eventos que faço, já tocou no o Festival de Jazz de Outro Preto e também no Porto no Rio”, afirma.

A empresária musical revela também que decidiu retornar com o projeto, depois de um hiato de 13 anos, motivada pela revitalização do espaço em que começou. “A praça da Savassi está linda e com uma ótima iluminação. Isso e o retorno do meu escritório para a rua Alagoas fizeram com que eu investisse novamente no empreendimento”, justifica.

Também chama a atenção de Maria Alice uma característica abstrata, porém de extrema relevância da região. “A Savassi é um local muito democrático, um lugar onde as pessoas se sentem bem e também de fácil acesso”, opina.

Com a expectativa de receber 700 pessoas, a programação do Som Clube continua nas próximas duas sextas-ferias com apresentações de Thiago Petit, no dia 2, e de Marcelo Jeneci, no dia 9. Serviço. Som Clube, com Alessandra Maestrini, hoje, às 18h30, na praça da Savassi, no quarteirão fechado na rua Antonio de Albuquerque. Entrada franca.

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