‘G0ys’ namoram homens, mas não se acham homossexuais

Grupo gera polêmica ao criar identidade que fica entre a homo e a heterossexualidade

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

Diferença. O que separa os g0ys de gays é o fato de os primeiros não praticarem sexo anal com outros homens
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Diferença. O que separa os g0ys de gays é o fato de os primeiros não praticarem sexo anal com outros homens

Faz tempo que o mundo não é mais dividido entre homossexuais e heterossexuais. Bissexuais, transexuais, cissexuais, crossdressers e outros termos passaram a disputar fatias da sociedade. Agora, mais um grupo passa a fazer parte das possibilidades em relação a orientação sexual. Eles são os G0ys (com um zero no lugar do “a”).  

G0ys são definidos como homens que têm práticas sexuais periféricas – sem penetração – com outros homens, mas não se identificam como gays. Vale beijar, abraçar, fazer carinhos, se masturbar juntos e até fazer sexo oral. O que não vale é sexo com penetração. “Existem g0ys que praticam sexo oral, sim! Não há proibição nenhuma de envolvimento com o mundo gay, cada um segue a sua vida da forma que achar mais conveniente. É uma questão de conceito, quem pratica sexo anal é gay, quem não pratica é g0y”, explica Claudio Lapaz, um dos administradores do grupo Espaço G0ys e Afins, em seu perfil no Facebook.

Há quem enxergue o surgimento do novo grupo como um reflexo da maior liberdade sexual vivida atualmente. “Estamos em um momento de aumento da informalidade das relações. As pessoas manifestam muito mais espontaneamente os desejos e as preferências e, ao mesmo tempo, têm resistência para aceitar essas categorias que a ciência e a educação criaram pra catalogar os seres humanos”, analisa o psicólogo Marco Antônio Torres, colaborador do Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT da Universidade Federal de Minas Gerais (NUH/UFMG).

Para o professor, a criação desse – e outros nomes – para definir uma identidade sexual é um artifício para fugir do preconceito enfrentado por quem não se enquadra no que é considerado “normal”. “Historicamente, a categoria gay foi sempre estigmatizada. Assim, você usa posse de outra categoria (como os g0ys) para fugir de uma situação que te deprecia socialmente”, esclarece.

A estratégia, porém, tem sido criticada. “No meu entender, esses ‘caras’ são gays enrustidos, com homofobia enraizada, que querem manter relações com outros ‘caras’ às escondidas, mantendo uma família tradicionalmente aceita pela sociedade”, escreve o autor do site SuperPride. Segundo Torres, a atitude pode mesmo ser traiçoeira. “A pessoa pode sair de um armário e cair em uma gaveta”, diz, brincando com a expressão “sair do armário”, que significa assumir a homossexualidade.

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