Grafite aberto ao público

Três grafiteiros criam desenhos nos muros de uma galeria de arte, enquanto conversam e interagem com visitantes

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Criação. Wagner Braccini coloca tinta sobre outros grafites da edição passada do Arte Graffiti
Alex de Jesus
Criação. Wagner Braccini coloca tinta sobre outros grafites da edição passada do Arte Graffiti

“Eu acho mais importante acompanhar o processo de criação do que simplesmente ver o grafite pronto no muro. Traz outro olhar sobre a arte”. Com um pincel em mãos, o artista plástico Dinho Bento, 33, vai desenhando na parede de mais de três metros de altura uma imagem híbrida de homem e animal, enquanto joga conversa fora com pessoas que vão e vem. Ele justifica bem a proposta do projeto Arte Grafitti, exposto no Centro de Arte Popular da Cemig, que propicia ao público acompanhar o andamento dos desenhos feitos por grafiteiros no pátio da galeria.

Depois de ser realizado em março e novembro do ano passado, com a presença de nomes como Thiago Pena, Clara Valente e Marcelo Gud, o projeto Arte Grafitti chega em sua terceira edição. Em um muro de mais de dez metros de comprimento, desde o fim de abril os artistas convidados Alex Lazarini e Dinho Bento, além do curador do projeto, Wagner Braccini, vão criando formas e cores sobrepostas às pinturas das edições anteriores. “O espírito é esse. Eu até planejei algumas coisas para pintar quando me convidaram, mas você chega aqui, vê os outros grafites que foram feitos e começa a criar na hora. Esse é o desafio”, destaca Dinho Bento.

Mas, em vez de usar as tradicionais latas de spray, todos os artista criam seus desenhos na parede com rolos e pincéis, usando uma tinta látex misturada aos pigmentos amarelo, azul e vermelho – que formam todas as outras cores. A ideia é justamente preservar as pinturas até a próxima edição do projeto, já que a solução de tinta látex feita pelos artistas tem maior durabilidade e resistência do que a tinta convencional em spray.

Na parede, o desenho da água que jorra das mãos de uma mulher pintada na edição passada agora se transformou em um líquido surreal de cores vibrantes. “A temática é completamente livre. A ideia é a cada edição integrar e sobrepor desenhos, sendo acompanhado pelo público, que pode perceber como estilos tão distintos de grafitar e olhar o mundo podem se integrar e se modificar”, analisa o grafiteiro Wagner Braccini.

A exposição do projeto Arte Graffiti deve ser concluída entre amanhã e a próxima segunda-feira, quando o público ainda vai poder acompanhar as pinceladas finais dos grafiteiros. A exposição fica aberta até novembro, no horário de funcionamento do Centro de Arte Popular da Cemig, que pode ser visitado às terças, quartas e sextas, de 10h às 19h. E às quintas-feiras, de 12h às 21h. A entrada para a visitação é gratuita.

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