Em harmonia para a vitória

Final da 14ª edição do BDMG Instrumental traz o melhor da nova música instrumental mineira no teatro Sesiminas

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Vencedor. O guitarrista Pablo Passini apresenta no domingo o CD “Niños”, ganhador do prêmio de melhor disco instrumental de 2013
ÉLCIO PARAÍSO/BENDITA
Vencedor. O guitarrista Pablo Passini apresenta no domingo o CD “Niños”, ganhador do prêmio de melhor disco instrumental de 2013

“É uma moçada nova. Quero ir lá ver ao vivo porque tem muita gente que eu só ouvi, selecionei e não sei quem é”, afirma o músico Cléber Alves sobre os 12 finalistas da 14ª edição do BDMG Instrumental, que ele ajudou a peneirar. Aos 50 anos, o professor da UFMG, que venceu o concurso 11 anos atrás, celebra ainda sua alta rotatividade e a presença forte de músicos do interior neste ano. “É possível, se algum deles ganhar, abrir o mercado sem ter que morar em BH. O projeto desenvolve isso”, ressalta.

Considerado ao mesmo tempo um termômetro do que de melhor está germinando na música instrumental em Minas e um celeiro para a descoberta de novos talentos, o BDMG Instrumental inicia a final de sua 14ª edição hoje, a partir das 20h, no teatro Sesiminas. Seis dos 12 finalistas se apresentam nesta noite e os seis restantes amanhã, às 19h. No domingo, os seis melhores das duas noites se apresentam para escolha de quatro vencedores. Antes do anúncio da premiação haverá um pocket show do guitarrista Pablo Passini, contemplado com o prêmio Marco Antônio Araújo pelo CD “Niños”, considerado o melhor disco autoral, instrumental e de produção independente de 2013.

Segundo Alves, que participou do júri de seleção dos finalistas a partir de 31 inscritos, ao lado dos músicos André “Limão” Queiroz e Geraldo Vianna, o público vai encontrar nas performances do fim de semana um “apreço pela melodia, bons instrumentistas e um cuidado com o resultado final do produto”.

Apesar de se tratar de um concurso de composição, o professor defende que execução da obra também é fundamental na hora do julgamento. “Composição não é só tocar um tema de oito compassos, depois improvisar e acabou. Não é pegar um instrumento e tocar. Tem tema, produção, uma coisa mais elaborada, cultivada, refinada. É Tom Jobim, Toninho Horta, Wagner Tiso”, explica.

Para ele, que foi convidado para integrar o júri do BDMG Instrumental pela segunda vez, a integridade desse conjunto foi o diferencial que separou os finalistas do restante dos candidatos. Ele conta que, na primeira vez, foi difícil chegar a um consenso. “Desta, por ter pessoas mais ou menos no mesmo nível, os que se destacaram se destacaram mesmo. Chegamos rapidamente a uma lista de 13 e tivemos que cortar só um”, relata. Além disso, o professor revela que o cuidado com a gravação também fez diferença. “Claro que uma boa composição se destaca logo de cara, independente disso. Mas o resultado final e a nitidez para ouvir são muito importantes”.

Complementares. O consenso rápido, para o músico, veio também da complementaridade da composição do júri. Saxofonista, Alves se define como “um cara do sopro”, mais preocupado com a melodia. Já o violonista Geraldo Vianna sabe identificar um instrumento bem-tocado. E o André “Limão” Queiroz é um percussionista “da cozinha”, que entende de rítmica.

“Todos nós temos uma preocupação muito grande com a harmonia. Então, quando o Limão dizia ‘esse cara tem uma precisão rítmica boa’, ele me convencia mais e o resultado do que cada um escolhia foi muito parecido. Um apoiava o outro”, descreve o professor sobre o processo “muito positivo”.

Entre os destaques da safra 2014, Alves ressalta ainda a grande presença de artistas solo, com alguns poucos duos ou trios inscritos. Apenas um deles, o Grupo Feijão de Corda foi selecionado para a final.

Cléber Alves acredita que os quatro vencedores – que receberão um prêmio de R$ 9 mil cada – serão aqueles que conseguirem deixar o ego e a vaidade de todo artista do lado de fora e se concentrarem na música durante a apresentação. “Não é técnica. É se apresentar pela composição, tornando seus temas o mais musicais e conceituais possível”, resume o ex-vencedor.  

Finalistas

Hoje. Jorge Bonfá, Júlio Curi, Grupo Feijão de Corda, João Paulo Avelar, Marcus Abjaud e Marcelo Morais.

Amanhã. Chrystian Dozza, Fabricio Conde, Leonardo Pires, Samy Erick, Sérgio Danilo e Vaninho Vieira.

 

Agenda

O que. XIV BDMG Instrumental

Quanto. Hoje, às 20h; amanhã e domingo, às 19h

Onde. Teatro Sesiminas (rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia)

Quando. Entrada franca

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