O peso de cada coisa

iG Minas Gerais |

Quando a gente percebe, já aconteceu. Chega o sofrimento dispensável. São ações ou palavras vindas de alguém que pouco ou nada acrescenta à sua vida. Ficamos irritados por algo que simplesmente não deveria causar tanta ira. Perdemos minutos preciosos, horas e, às vezes, até dias inteiros digerindo problemas, críticas, comentários e polêmicas que nem sempre merecem tanta atenção. Tudo porque não damos o peso certo aos fatos ou às pessoas. O que realmente interessa? Quem realmente vale a pena? Momentos especiais não podem ficar tão restritos. Precisam ocupar mais espaço. Os dias podem se tornar mais leves, mais felizes. A conclusão, eu sei, é óbvia e chega a ser até simplista. Não falta consciência sobre essa questão. Difícil mesmo é colocá-la em prática. Até por isso não custa repetir, como mantra: dê o peso certo para cada coisa. Preocupe-se, sim, mas com aquilo que realmente merece. Na verdade, o assunto “invadiu a coluna” a pedido de uma leitora. No entanto, confesso que também calhou perfeitamente em fatos ocorridos nos últimos tempos. Tenho visto muita gente com a mesma sensação da Sarah. Ela está triste, cansada de se envolver tanto em debates que estão tirando seu tempo, sua paciência e energia boa. E olha que o tempo é precioso para a estudante de enfermagem. Sarah trabalha durante todo o dia e estuda à noite. Nas últimas semanas, a moça passou as madrugadas em claro. Brigas em redes sociais vêm lhe “roubando” o sono e a paz. Faz comentários, e recebe uma enxurrada de críticas. Só que sofre excessivamente com elas. Responde aos meros conhecidos, tenta se explicar e se angustia – muito mais do que deveria – por sentir-se mal-interpretada. O astral anda péssimo, como ela mesma relata. Chegou a faltar de aula alguns dias, por estar deprimida com o peso da fala de um colega que mal sabe quem é. Então, pergunto à Sarah: qual o tamanho de uma rede social na sua vida? Quem são os seus amigos, as pessoas que ama de verdade? Feche o computador, mude o foco, largue as pequenices, substitua as preocupações virtuais pelas reais, que já não são poucas... Reaja, Sarah, caminhe em outra direção! Conheci um senhor com pouco mais de 60 anos, presumo. Certa vez, contou-me sobre um hábito muito particular: caminhava pelas ruas do bairro para pensar nos problemas. Ele dizia que não voltava para casa enquanto não se livrasse da angústia causada por eles, ou antes de, pelo menos, dimensionar o peso correto de cada um. Na época, achava aquilo tão distante, tão irreal. Caminhar para digerir “as coisas da vida”. Hoje, admito que é uma grande ideia. Soube, tempos depois, ainda por ele, que o hábito surgiu após uma crise grave de estresse. Também teve uma úlcera nervosa no meio de tudo isso, eu acho. Se não for exatamente essa a doença, foi algo parecido. Precisou passar por muitas crises para reaprender a enfrentar os dias ruins. Na verdade, com ou sem problemas de saúde, acho que a maioria das pessoas é assim. Só aprende depois de errar um bocado. E isso se dá das grandes às pequenas ações. Não tenho conta de quantos fatos absolutamente bobos derrubaram meu humor, minha energia. Posso apostar que você também já passou por isso. A grande maioria das pessoas já passou. Às vezes, são só meras palavras para as quais vale a velha expressão: “deixe entrar por um ouvido e sair por outro”.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave