Educação e Saúde paralisam e protestam contra governo

Prefeitura mantém reajuste de 7% parcelado, que não foi aceito pelas categorias; servidores da saúde ficarão com os braços cruzados; educadores continuam em greve

iG Minas Gerais | José Augusto e Lisley Alvarenga |

Servidores da saúde de Betim decidiram continuar de braços cruzados até nesta sexta-feira (25). Integrantes da categoria se uniram a trabalhadores da educação – setor em greve desde o dia 15, por tempo indeterminado – e percorreram as principais ruas e avenidas do centro para depois protestar dentro da sede da prefeitura. Munidos, faixas, apitos e fazendo charangas, cerca de 2.000 profissionais demonstraram insatisfação contra a proposta de reajuste parcelado de 7%, feita pela atual gestão.

Os servidores da saúde alegaram que não houve avanços na negociação com a prefeitura e também podem entrar em greve por tempo indeterminado. Nessa quarta (23), eles realizaram paralisação que, inicialmente, seria de 24 horas, mas, em assembleia pela manhã, a categoria decidiu continuar com o movimento até nesta sexta (25).

“Estamos em estado de greve. Nessa quarta (23), realizamos uma reunião com a prefeitura para negociar as nossas reivindicações, mas não houve avanços. O Executivo quer conceder reajuste de 7%, parcelado em duas vezes, e não vamos aceitar”, disse a diretora do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (Sind-Saúde), Berenice Freitas. A categoria também criticou a proposta de reajuste de 15% no cartão Cesta Servidor; o valor do benefício passaria de R$ 200 para R$ 230.

Nesta sexta (25) haverá nova assembleia para decidir os rumos do movimento. No entanto, segundo alguns vereadores, há a possibilidade de o governo enviar para votação na Casa ainda nesta semana um projeto de lei que propõe o reajuste de 7% escalonado – 3% em maio e 4% em agosto –, mesmo sem ter fechado o acordo com os sindicatos. “Se isso ocorrer, será uma truculência do governo, porque a negociação ainda não acabou”, disse Berenice.

Para tentar coibir essa ação do Executivo, educadores informaram que vão fazer vigília durante toda a sexta (25), na praça Tiradentes, em frente à Câmara de Vereadores. “Estamos acompanhando a movimentação do Legislativo para evitar que qualquer projeto seja votado às escondidas e sem uma discussão com o sindicato. Se isso acontecer, será um desrespeito com os servidores”, disse o coordenador do Sindicato Único das Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Luiz Fernando Souza.

A greve na educação começou no último dia 15 e não tem prazo para acabar. Cerca de 30 mil alunos da rede estão sem aula. A categoria reivindica, entre outros ítens, reajuste de 34%, o que inclui o aumento do piso nacional mais a reposição das perdas inflacionárias, e a instituição da isonomia salarial.

Segundo Souza, tanto o índice quanto a política de reajuste com parcelamento não atendem à categoria. “Essa proposta de aumento nem sequer resolve a situação do menor piso da educação, que é abaixo do salário mínimo nacional. Queríamos, pelo menos, que o reajuste fosse pago integralmente”.

Uma nova assembleia da categoria está agendada para acontecer na próxima terça-feira (29), às 14h, em frente ao Senai, na região Central.

Já o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Betim (Sindserb), Geraldo Teixeira, considerou a nova proposta ruim e inaceitável. “Essa proposta não atende aos servidores. Já a proposta do cartão Cesta Servidor é ridícula. Estamos revoltados com a falta de respeito do governo, que está massacrando o funcionalismo. Até a mesa de negociações é presidida por Wagner Lara, um secretário marajá. Enquanto o supersalário dele na prefeitura está garantido, o servidor fica na miséria”, criticou o sindicalista.

Resposta

Em nota, a prefeitura informou que, na reunião dessa quarta com os sindicatos, foi mantida a proposta de reajuste de 7%, mas o parcelamento foi modificado para 3% em maio (retroativo a abril) e 4% em agosto, e não em outubro, como havia sido proposto inicialmente. O Executivo informou que propôs reajuste de 15% no cartão Cesta Servidor.

“Os representantes sindicais apresentarão essas propostas às respectivas categorias, e, na próxima quarta-feira (30), um novo encontro entre o governo e os servidores será realizado no Centro Administrativo”, diz o texto.

"Peregrinação"

Devido à paralisação, quem procurou atendimento médico na quarta (23) nas Unidades de Atendimento Imediato (UAIs) precisou ter muita paciência, conforme a reportagem constatou ao visitar três unidades.

Foi o caso do soldador Emerson Silva, que precisou percorrer três unidades em busca de atendimento para a mãe, uma idosa em crise de bronquite. “Pela manhã, eu a levei para consultar no posto do bairro Cruzeiro do Sul, mas nós não conseguimos atendimento. Depois, fui à UAI Alterosas, também sem sucesso. Então, fui à UAI Guanabara, onde o cenário é o mesmo. Minha mãe está sofrendo. A situação da saúde está muito complicada”.

Já o caminhoneiro Jurandir Oliveira, 56, não obteve atendimento para a esposa na UAI Teresópolis, que estava sem médico, e só conseguiu a consulta na UAI Sete de Setembro. “A minha esposa foi recebida somente depois de esperar durante cinco horas”, afirmou.

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