Desejo de Maria UPP por PMs traz à tona os fetiches sexuais

Fixação por objeto só seria um problema se trouxesse algum prejuízo ao indivíduo

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

Internet. Patricia Alves revelou que se relaciona com policiais há mais de cinco anos em 37 UPPs
REPRODUção R7
Internet. Patricia Alves revelou que se relaciona com policiais há mais de cinco anos em 37 UPPs

A personagem da vida real mais polêmica dos últimos dias é a “Maria UPP”. Trata-se da jovem pernambucana Patrícia Alves, 23, que ficou “famosa” por manter relações sexuais com policiais militares das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) do Rio de Janeiro. A preferência sexual de Patrícia por policiais militares de UPPs é o que a psicanálise chama de fetiche, um desejo considerado normal.  

“São fantasias que o sujeito cria a partir de um objeto imaginário – pode ser uma farda, uma bota, um chicote etc. O objeto já existe, mas a pessoa cria essas fantasias em torno dele”, explica o psicanalista Márcio Barretos, especialista em clínica psicanalítica.

Segundo o pai da psicanálise, Sigmund Freud, o fetiche é algo que substitui o órgão sexual masculino, algo que todos desejam ter – até mesmo as mulheres. “A teoria de constituição do sujeito parte do homem. Freud é bem machista nesse sentido. Para ele, todo mundo se sente incompleto sem o órgão sexual masculino. O fetiche funciona como uma possibilidade de completude”, explica o psicanalista Alberto Luiz Rodrigues Timo, professor do departamento de psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Justificativa. “Eu fiz porque gostava, não cometi crime nenhum e faria tudo de novo se pudesse”, afirmou a moça, que diz já ter se relacionado com mais de mil policiais, ao programa de TV Cidade Alerta.

Apesar de causar estranheza e de ser duramente criticada pela sociedade, para os especialistas Patrícia não tem mesmo do que se arrepender. A fixação por um objeto sexual é considerado normal pela psicanálise. Assim, não deve ser encarada como um problema ou como algo que desperte preocupação. “Na raça humana, o sexo não é algo que serve só para a reprodução. Então, a forma como cada um configura a própria sexualidade não é problema algum, nem para o próprio sujeito e nem para as pessoas de seu círculo de convivência”, defende o professor.

Problemas. O fetiche, muitas vezes, pode ser uma limitação para a experiência sexual de um indivíduo. “Em um extremo, um fetichista só vai conseguir ficar excitado se o objeto de fetiche estiver presente. Isso é limitador de uma vida que pode ser tão flexível e ter tantas notas”, aponta Timo. Mesmo assim, se a prática não causa angústia para o indivíduo, não é algo que mereça atenção especial. “Quem dera todo mundo pudesse ter um jeito de dar vazão à sua sexualidade que permitisse um alívio das suas tensões e angústias”, diz o professor.

A fixação por um objeto sexual só passa a ser preocupante quando for contra as leis ou trouxer algum prejuízo para o próprio indivíduo. “Se a pessoa tem fetiche por crianças, por exemplo, isso é um problema. Já o fetiche por policiais – ou por um sapato de salto alto, um chicote de couro, por exemplo – não parece gerar angústia. Dessa forma e não prejudicando ninguém, não é algo que demande tratamento”, afirma Timo.

Conheça

Bondage. Uma das mais famosas, onde o prazer sexual só vem quando se amarra o parceiro.

Furry Fandom. Classificação dada às pessoas que gostam de vestir-se como animais antropomórficos, ou ver outras pessoas vestidas assim.

Maieusofilia. Excitação por grávidas.

Dendrofilia. Consiste no desejo sexual por árvores, legumes, frutas e etc.

Estatuofilia. Atração por bonecas, manequins, estátuas.

Zoofilia. Atração ou envolvimento sexual de humanos com animais de outras espécies.

Coimetrofilia. Desejo de transar no cemitério.

Vídeo

Punição. A PM do Rio tenta identificar os policiais que mantiveram relações com Patrícia Alves durante o horário de trabalho. Um deles, reconhecido em vídeo, está preso administrativamente.

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