Câmara irá apurar condições de José Dirceu na penitenciária

Filhos do petista, que querem aval para o pai trabalhar, fizeram o pedido

iG Minas Gerais |

Nilmário Miranda reconheceu que o requerimento é polêmico
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Nilmário Miranda reconheceu que o requerimento é polêmico

BRASÍLIA. A Comissão de Direitos Humanos da Câmara aprovou nessa quarta a visita de um grupo de deputados ao ex-ministro José Dirceu, preso no Complexo Penitenciário da Papuda desde o ano passado. O objetivo do grupo é verificar “a real situação penal” dele, além de questionar aos órgãos do Judiciário sobre a concessão de autorização para o trabalho externo.  

Segundo o autor do requerimento, deputado Nilmário Miranda (PT-MG), os filhos de Dirceu, o deputado Zeca Dirceu (PT-PR) e Joana Saragoça, fizeram um apelo para que a comissão verifique se há regalias ou se o regime a que ele foi condenado está sendo descumprido. “Sabia que o requerimento era polêmico, mas a minha proposta é fazer um relatório para saber se a sentença está ou não sendo cumprida regularmente”, afirmou Miranda.

Segundo ele, os filhos de Dirceu não sabem mais a quem recorrer, já que o Judiciário ainda não autorizou o pedido de trabalho externo feito pelo ex-ministro.

Alguns deputados se opuseram ao texto alegando que Dirceu já tem advogado, e a ida de uma comissão da Câmara ao presídio apenas para verificar a sua situação seria “constrangedor”. “Não me sinto confortável com isso. Até um dia desses José Dirceu era protagonista do sistema e agora afirma-se que ele é uma vítima?”, afirmou o deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA).

Apesar das divergências, ficou acertado que o grupo analisará também a situação de todos os casos, na Papuda, para saber sobre o regularidade dos processos e execuções penitenciárias.

O petista é o único dos condenados no mensalão que ainda não teve seu pedido de trabalho analisado pela Justiça. O ex-ministro tenta trabalhar como auxiliar no escritório de advocacia de José Gerardo Grossi, em Brasília, com um salário de R$ 2,1 mil mensais.

O pedido está emperrado devido a suspeitas de que Dirceu teria usado um celular de dentro da penitenciária da Papuda.

Promotora DF. A promotora do DF Márcia Milhomens alegou à Justiça que depoimentos informais ao MP basearam seu pedido de quebra de sigilo de celulares do Planalto. O pedido foi feito na investigação que apura se Dirceu usou um celular na cadeia.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave