Humor chulo capaz de deixar todo mundo em pânico

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |


Comediante não deixa espaço para resto do elenco nem para história
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Comediante não deixa espaço para resto do elenco nem para história

Os primeiros dez minutos de “Inatividade Paranormal 2” contêm uma cena em que o ator e roteirista (sic) Marlon Wayans faz sexo com uma boneca de porcelana. E por sexo, leia-se suor, sacanagens verbais e várias posições. Ninguém pode reclamar que o espectador não foi avisado.

A cena dá o tom do filme dirigido por Michael Tiddes. A produção usa a desculpa de satirizar produções recentes de terror para funcionar, na verdade, como um show de piadas chulas e racistas, em que Wayans tenta encontrar formas engraçadas de falar sobre pênis, vaginas e sexo oral em um número suficiente para preencher noventa minutos de projeção.

Aviso de spoiler: ele não consegue. Nos oitenta minutos que se seguem à cena citada no primeiro parágrafo, o espectador vai ver um pênis de verdade saindo da garganta de uma adolescente, além do comediante urinando e defecando na tela. E a prova máxima da pobreza do roteiro é que nada disso chega a ser realmente engraçado, variando entre o chocante e o simplesmente desagradável.

A história (sic) usa o formato de câmeras caseiras de “Atividade Paranormal” para acompanhar o casal Malcolm (Wayans) e Megan (Jaime Pressly). Os dois se mudam com os filhos dela para uma casa onde encontram “assombrações” importadas de longas como “A Entidade”, “Possessão” e “Invocação do Mal”.

Mas para entender a egotrip de que “Inatividade 2” realmente se trata, basta saber que o roteiro, também assinado por Wayans, está menos interessado em explorar os clichês do gênero do que em criar situações para que o ator (de 42 anos) tire a roupa, grite e abuse de atitudes e gírias que, se realizadas por brancos, seriam altamente racistas.

Se a acusação não vem dos negros, ela pode ser feita pelos latinos. Um dos piores aspectos do longa é colecionar uma série de piadas ofensivas contra mexicanos – acrescentando logo depois “isso é tão racista!”, como se isso de alguma forma tornasse seu humor menos preconceituoso ou mais inteligente.

Usar palavrões e expressões ofensivas não é um mal em si. “Veep”, a melhor comédia da TV atualmente, faz isso de forma genial. O problema é acreditar que o uso de termos chulos é engraçado por si só, como se o mundo fosse uma eterna quinta série. E o pior é que, com a febre das globochanchadas, nem se pode mais desdenhar esse tipo de produção como “humor debilóide americano”. A imbecilidade dominou o mundo. Também chegando nas salas

“Os Dias com Ele”. Vencedor dos troféus Barroco de melhor filme segundo os júris jovem e da crítica na Mostra de Tiradentes de 2013, o longa estreia amanhã no Cine CentoeQuatro. No documentário, a diretora estreante Maria Clara Escobar vai atrás do pai, um intelectual exilado em Portugal desde a ditadura que nunca se interessou nem tentou se aproximar dela.

“Amante a Domicílio”. A comédia dirigida pelo ator John Turturro continua em pré-estreia durante toda a semana. Coestrelado por Woody Allen, o longa acompanha um quarentão (o próprio Turturro) que se descobre um sucesso como garoto de programa, cafetinado pelo melhor amigo. No elenco, entre as clientes do protagonista, estão as beldades Sharon Stone e Sofia Vergara.

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