Entre a filosofia, as artes plásticas e a música

Livro e disco de Matheus Brant buscam inspiração em Hannah Arendt para falar do vazio no trabalho

iG Minas Gerais | GUSTAVO ROCHA |

Multimídia. Artista deseja que o trabalho artístico seja independente de sua produção acadêmica
Paula Huven
Multimídia. Artista deseja que o trabalho artístico seja independente de sua produção acadêmica

Relacionar o trabalho a sua dimensão filosófica parece algo bastante recorrente. Mas lançar um livro, pautado em sua dissertação de mestrado em direito, junto a um disco que tange a temática e ainda contar com o apoio de uma artista plástica na empreitada multimídia, parece algo mais complexo. Os frutos desse trabalho – “A Música e o Vazio do Trabalho - Reflexões Jurídicas a partir de Hannah Arendt” – livro e disco, assinados por Matheus Brant, com ilustrações de Débora Paiva, serão lançados hoje à noite, no Café 104.

Inspirado por Hannah Arendt e seu livro “A Condição Humana”, o advogado e músico desenvolveu sua pesquisa buscando vazios nas relações trabalhistas. “Existe uma gama de trabalhadores que não são reconhecidos, pelo direito, porque não existe um marco legal que os regulamenta. É o caso, por exemplo, de lavadores de carro, prostitutas, catadores de papel”, explica.

O difícil processo de criação em mais de uma linguagem e não fazer isso de maneira forçadamente filosófica são fatores destacados. “Tive muito cuidado com as palavras das letras para não fugir do tema. Eu queria que as pessoas ouvissem as músicas como se elas fossem música, só isso. Sem necessidade de explicações”, esclarece.

Brant tenta traçar um tratado filosófico sobre a importância do trabalho na vida das pessoas. “Eu encontrei na Hannah Arendt um eco mais consistente para minha pesquisa, que retrata o tanto que as profissões de alguma forma são supervalorizadas e como o trabalho serve apenas para garantir a subsistência”, sintetiza.

Agenda O quê. Lançamento de “A Música e o Vazio no Trabalho”, de Matheus Brant

Quando. Hoje, às 20h

Onde. Café 104 (praça Rui Barbosa, 104, centro)

Quanto. Entrada franca

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