Spencer Lee não é mais o técnico do Banana Boat-Praia Clube

Treinador não escondeu descontentamento com a forma como sua saída foi conduzida pela diretoria do clube

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

CBV/Divulgação
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Depois de seis anos e meio de muita dedicação ao Banana Boat-Praia Clube, o técnico Spencer Lee deixa o time. Nos últimos dias, o treinador já sentia que sua situação no clube não era favorável, dadas às especulações que apareceram em vários sites.

Informações davam conta de que um dos procurados foi Alexandre Rivetti, que comandou o Brasil Kirin-SP, além de Maurício Thomas, que comanda a seleção brasileira infanto. Thomas teria que abrir mão no cargo do time nacional e, em contrapartida, pediu dois anos de contrato, o que não foi aceito pela diretoria do time de Uberlândia.

"No final da temporada, o gerente André Lelis e o supervisor Bruno Vilela vieram falar comigo que tinham interesse na minha continuidade. No entanto, poucos dias depois tive acesso a algumas notícias que davam conta da procura por outro nome. Acho que faltou um pouco de sinceridade deles comigo neste momento, principalmente após todo este tempo de trabalho por lá. Não custava olhar nos olhos e dizer a verdade. Mas isso é algo natural dentro do ambiente de esporte de alto rendimento", lamenta o treinador, que conseguiu levar o Praia, nos últimos três anos, a quinta posição na Superliga, a melhor da história do clube.

Substituto é velho conhecido A partir de agora, o Praia será comandado por Ricardo Picinin, que terminou a temporada no comando do Vivo-Minas. Picinin, atualmente, é o técnico da seleção  brasileira infantil e está em Saquarema, sem data para desembarcar em Uberlândia. Picinin e Spencer são velhos conhecidos e já trabalharam juntos na seleção mineira, entre outros times. "Ele é um cara espetacular e muito competente. Desejo a ele muita sorte nesta nova caminhada", elogia Spencer, que começou a carreira no clube nas categorias de base, antes de ser promovido diversas vezes. 

O treinador, agora demitido, espera definir sua situação nos próximos dias. Ele ainda é contratado pelo clube e sua situação de demissão ou permanência, com outro cargo, ainda não foi definida.

"Minha esposa ainda nem sabe disso, vou sentar com ela para conversarmos com calma. Mas, depois de tudo que aconteceu, acho que pode ser melhor mesmo uma mudança, tenho um pouco deste sentimento dentro de mim. Foi bom para amadurecermos e tudo que aconteceu foi válido. Tenho muito orgulho de ter ajudado o Praia nesta trajetória de sucesso", afirma o treinador.

Elenco teve restrições desde o início da temporada Durante a temporada, Spencer Lee teve nas mãos um elenco de muita qualidade, mas que treinou pouco junto. O time contratou duas jogadoras (as pontas Mari e Herrera) que chegaram de cirurgia no ligamento cruzamento anterior. O início dos trabalhos não teve a presença das gêmeas Michele e Monique Pavão, que estavam com a seleção. A norte-americano Kim Glass, uma das principais contratações do time, ficou de fora por 10 rodadas no returno, com entorse no tornozelo. Além disso, a levantadora Camila Torquette foi outra que não superou as dores no joelho e teve que ser submetida a uma cirurgia, deixando o time com poucas opções à altura da titular Juliana Carrijo. Mesmo depois de retornar às quadras, Herrera teve que passar por nova cirurgia no joelho. 

"Foram dificuldades que comprometeram todo o rendimento. Se estas jogadoras estivessem em plenas condições durante todo o tempo, o resultado seria outro. Fizemos o primeiro treino com o time todo somente no dia 13 de dezembro. A Mari só estreou no dia 27 de dezembro, na Suíça. Mas isso acontece e a cultura do Brasil é esta, infelizmente", concluiu Spencer.

O treinador, que atua como assistente da seleção paralímpica, agora foca no seu projeto de vôlei sentado, para manter viva a paixão pelo vôlei. Em breve, Spencer embarca para a Rússia, onde o time se prepara para o Mundial da modalidade, em junho, na Polônia.