Herdeiro do Mille, Palio Fire é opção racional de compra

Primeira geração do compacto vira o modelo de entrada da Fiat; hatch sente o peso da idade, mas preço é chamariz

iG Minas Gerais | Felipe Boutros |

Visual do hatch é basicamente a de 2004, a terceira reestilização pela qual ele tinha passado desde o lançamento em 1996
Alexandre Carneiro
Visual do hatch é basicamente a de 2004, a terceira reestilização pela qual ele tinha passado desde o lançamento em 1996

Finalmente o Palio cumpriu o papel para o qual ele foi projetado originalmente em meados dos ano 90: substituir o Mille como o carro de entrada da Fiat. Ele também se qualificou como o modelo mais barato feito no Brasil, com o preço de R$ 24.490, com carroceria duas portas. Com quatro, o valor sobe para R$ 26.520.

Óbvio que, por esse valor, não se espera nada além do basicão. De série, apenas os obrigatórios airbags dianteiros e freios ABS, apoios de cabeça dianteiros com regulagem de altura, banco traseiro rebatível, bancos dianteiros reclináveis, barra de proteção nas portas e brake light.

Para tornar o carro um pouco mais interessante, itens como direção hidráulica, ar-condicionado, rádio e rodas de liga leve de 14 polegadas, vidros elétricos dianteiros, travas elétricas, faróis de neblina, retrovisores na cor do veículo e limpador traseiro podem ser adquiridos como opcionais. Mas, com todos esses equipamentos, o preço da versão quatro portas sobe para R$ 32.334. Outras comodidades banais, como ajuste do volante e de altura do banco, ou vidros traseiros e retrovisores com ajuste elétricos, sequer aparecem nessa lista.</CW>

Franciscano

Para ser um dos modelos mais baratos do mercado, o Palio teve que fazer várias concessões. Por dentro, mais mudanças, algumas delas bem-vindas, outras nem tanto. O painel de instrumentos, por exemplo, é herdado do Uno e traz o econômetro, mas perdeu o conta-giros. É interessante para orientar o motorista, mas não tão eficiente quanto o sistema que a Renault adotou no Clio, por exemplo, no qual há um indicador de troca de marchas no painel, associado a um conta-giros com uma escala de rotação ideal.

A posição de dirigir também não é das melhores. Como o banco só tem ajuste longitudinal e da inclinação do encosto (por meio de uma alavanca), é difícil achar uma posição confortável para dirigir. Mas, em compensação, o volante oferece uma boa pegada e os comandos estão ao alcance da mão.

O motor é o conhecido 1.0 8V que rende 73 cv com gasolina e 77 cv com etanol, sempre a 6.250 rpm. O torque é de 9,5/9,9 kgfm com gasolina ou etanol no tanque, respectivamente, a 4.500 rotações. O desempenho é o de um típico 1.0 – com exceção dos novos três cilindros. No plano, ele dá conta do recado, mas em subidas não há escapatória: tem que reduzir e jogar os giros lá em cima. Nisso fica evidente outro problema antigo do Palio, os engates de marchas longos e imprecisos.

O acerto de suspensão do Palio privilegia o conforto. O hatch se sai bem em pistas irregulares, mas reclama em curvas: a carroceria inclina, os pneus cantam e o substerço fica evidente.

Os quase 20 anos do projeto ficam evidentes, mesmo com a tentativa da Fiat de atualizar o visual do modelo. A carroceria – da terceira reestilização – ganhou discretas modificações como uma nova grade frontal e a pintura dos faróis biparabólicos. O espaço interno é bom para os ocupantes que vão na frente. Atrás, há algum aperto, principalmente para os mais altos. O porta-malas comporta bons 290 l.

Mercado

Hoje, os principais concorrentes do Palio Fire são o Renault Clio – R$ 24.690 com duas portas e R$ 25,7 mil com quatro – e o Chevrolet Celta – apenas quatro portas, por R$ 31.390. Como os três, de certa forma, são equivalentes em desempenho e no que oferecem ao motorista, não é exagero dizer que o modelo da Fiat se qualifica como a compra mais racional. A principal vantagem em relação ao modelo da Renault é o pós-venda, enquanto na comparação com o hatch da Chevrolet, o Palio leva a melhor, claramente, no preço.

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