Cá como lá, maus fados há

iG Minas Gerais |

Na semana que passou, analisei o que denominei “tática da avestruz diante do perigo”, comentando as reações de lideranças governistas diante da malversação de dinheiro público (e privado) na Petrobras. Mas, se você, leitor, prestar bem atenção, vai perceber que também do lado das oposições a coisa anda bem parecida: muito escarcéu para pouco resultado... Trocando em miúdos, como as práticas levianas e impublicáveis permeiam a ação política de vários partidos brasileiros, o melhor que têm a fazer – como declararam suas principais lideranças – é deixar que a ministra Rosa Weber descasque o abacaxi de decidir se haverá ou não uma só CPI enxuta – a da Petrobras –, ou se entram na roda os casos do porto de Suape, em Pernambuco, que pode envolver o presidenciável Eduardo Campos, e os desvios na confusão do metrô de São Paulo, que pega em cheio emplumados tucanos, desde a época do falecido Mário Covas, podendo repercutir na candidatura de Aécio Neves. Ou seja, em meio às turbulências da véspera da Copa do Mundo (vai ter ou não vai?), a eleição que se avizinha já parece permeada por troca de insultos e mútuas acusações: amplas, gerais e irrestritas. Os debates vindouros nada trarão de importante para conhecermos como os candidatos enfrentarão, no futuro, nossos problemas. E esse previsível campeonato de acusações não ficará só no plano nacional. Aqui, em Minas, admoestados reciprocamente, Pimenta da Veiga e Fernando Pimentel terão de explicar suas receitas advindas de inexplicadas consultorias verbais. Aliás, à boca pequena, corre em Brasília que a tal “lista de Furnas”, que viria à baila novamente nas investigações a serem feitas pela CPI dita ampla, poderia, sim, chegar ao Fim do Mundo. Para quem não lembra mais, essa tal “lista de Furnas” conteria acusações graves contra gente graúda cujos cofres de campanha também teriam sido irrigados pelo caudal de dinheiro público, na mesma época em que se desvendou o valerioduto. Trataram de abafar esse assunto. Santo Deus! Será que se salva alguém no mundo político? Ou teria tido razão o deputado que, em aparte ao então líder do PFL, nos idos dos anos 80 do século passado, bradou ao microfone da Assembleia, em Minas: “Comemos todos do mesmo cocho, bebemos da mesma gamela, somos todos farinha do mesmo saco, deputado!”. Em meus momentos de otimismo, apesar de tudo, ainda sonho em presenciar uma disputa em alto nível entre propostas viáveis para o Brasil. Propostas que não sejam a demagogia de mais de 6.000 creches, ou o temível choque de gestão ou rol de prioridades, porque quem diz que vai fazer mundos e fundos como prioridade, com certeza, não vai ter prioridade alguma. Quisera eu um dia ficar livre do bordão “não ganha eleição quem não vende ilusão”. Com todos esses pensamentos cruzando minha cabeça, recebo a triste notícia da morte de Gabriel García Márquez. Deixou-nos sós, com a loucura de nossas existências, para se incorporar aos Buendías, lá em Macondo.

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