Bancas eram alvo de ataques

iG Minas Gerais |

São Paulo. Entre 1979 e 1980 foram registrados ao menos 30 atentados contra bancas de jornal, segundo dados apresentados ontem pela Comissão Municipal da Verdade de São Paulo. Os atentados foram uma das armas utilizadas pelo regime militar para combater a imprensa independente, que criticava a ditadura no Brasil.  

Jornaleiros contaram, durante o encontro, que recebiam bilhetes sem assinatura cujos textos diziam que vender as publicações independentes era o mesmo que colaborar com o comunismo e que se sentiram coagidos a parar de vender os periódicos depois que uma banca foi incendiada na Rua Joaquim Floriano, no Itaim-Bibi, Zona Sul de São Paulo.

Ao contrário dos jornais de grande circulação, periódicos como “O Pasquim”, “O Movimento” e “Em Tempo” não eram entregues direto nas bancas. Os jornaleiros tinham que ir até as centrais de distribuição para retirá-los.

“Depois que houve o incêndio na banca do Itaim, os jornaleiros ficaram com uma indecisão sobre se deveriam continuar vendendo os jornais independentes. Já tínhamos tido vários problemas, como produto apreendido. E isso dá medo. Alguns de nós recuaram e colocaram placas dizendo que não vendiam determinadas publicações, que traziam a verdade, mas essa verdade tinha que ser escondida”, disse o jornaleiro Paolo Pelegrini, dono de uma banca na praça da República há mais de 30 anos.

Segundo o ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo David de Moraes, as publicações independentes davam voz a temas que não apareciam na grande imprensa durante os anos de ditadura e, talvez por isso, foram perseguidos.

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