JK não foi assassinado, diz CNV

Comissão da Verdade apresenta relatório indicando que o ex-presidente foi vítima de um acidente

iG Minas Gerais |

Relatório. Pedro Dallari e José Paulo Cavalcante Filho, da CNV ,divulgam o relatório parcial de pesquisa do caso Juscelino Kubitschek
Valter Campanato/Agência Brasil
Relatório. Pedro Dallari e José Paulo Cavalcante Filho, da CNV ,divulgam o relatório parcial de pesquisa do caso Juscelino Kubitschek

Brasília. A Comissão Nacional da Verdade apresentou nessa terça um relatório que indica que o ex-presidente Juscelino Kubitschek e o motorista dele, Geraldo Ribeiro, morreram em consequência de um acidente de trânsito na rodovia Presidente Dutra, no Rio de Janeiro, em 1976. A pesquisa sobre o caso descarta versões de que eles teriam sido assassinados.  

A polêmica em torno do assunto começou ainda nos anos 80, quando peritos encontraram, durante uma exumação, um fragmento metálico no crânio do motorista, que depois se constatou se tratar de um cravo usado no revestimento do caixão. Essa polêmica voltou à tona em dezembro do ano passado, quando a Comissão da Verdade instalada na Câmara Municipal de São Paulo apresentou uma pesquisa segundo a qual JK e seu motorista teriam sido vítimas de homicídio doloso.

Integrantes da comissão paulista chegaram a pedir ao Palácio do Planalto que o governo reconhecesse oficialmente “os assassinatos”. A pesquisa foi considerada uma jogada política dos vereadores paulistas, sem bases históricas.

“O ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira e seu motorista, Geraldo Ribeiro, morreram em decorrência de lesões contundentes, sofridas quando da colisão frontal entre o veículo Chevrolet Opala, em que viajavam, e o Scania Vavis”, destaca o relatório apresentado nessa terça pela Comissão Nacional da Verdade. “Não há nos documentos, laudos e fotografias trazidos para a presente análise qualquer elemento material que, sequer, sugira que o ex-presidente e Geraldo Ribeiro tenham sido assassinados vítimas de homicídio doloso”.

Questionamento. O presidente da Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, vereador Gilberto Natalini (PV-SP), disse nessa terça que vai enviar um pedido de audiência com os membros da CNV para confrontar os resultados das investigações sobre a morte de JK. Ele afirmou que encaminhará a solicitação nesta quarta.

“Nós reafirmamos o nosso relatório. Estamos convictos do que pesquisamos e do que escrevemos. A nossa conclusão foi baseada em 103 indícios de que houve, sim, o atentado que matou JK”, afirmou Natalini. “Queremos confrontar os relatórios item a item.”

Segundo o vereador, após o pedido enviado ao Planalto, a comissão paulista nunca mais foi procurada. “Em nenhum momento nós fomos chamados depois do ofício. Nunca fomos chamados para nada”, disse.

Conclusão

CNV. Para chegar à sua conclusão, a CNV se reuniu com o perito criminal Sérgio Leite, que fez o laudo do local do acidente, e com o legista que realizou o exame da ossada do motorista de JK.

Memorial

USP. A Comissão da Verdade da USP planeja fazer um memorial em homenagem a alunos, professores e funcionários mortos, desaparecidos ou perseguidos durante a ditadura militar.

Levantamento. A coordenadora do órgão universitário, professora aposentada Janice Theodoro da Silva, informou que a entidade já realiza um levantamento de mortes, desaparecimentos e perseguições depois do golpe militar de 1964.

Monumento. A USP inaugurou nessa terça um monumento em homenagem à docente e militante da Ação Libertadora Nacional Ana Rosa Kucinski, no dia em que o seu desaparecimento completou 40 anos.

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