Para sair do cheque especial

iG Minas Gerais |

Caro Carlos, estou em uma situação muito complicada. Tem cinco meses que venho usando meu limite de cheque especial. E não consigo realizar um empréstimo para cobrir esse valor. É receber meu salário e fazem o desconto dos juros. O banco não quer me emprestar o valor para cobrir o limite do cheque especial nem quem dividir. Estou pagando muito juro, necessito pagar minhas contas e não posso ficar sem usar o dinheiro. Já solicitei várias vezes o empréstimo, mas não estão aprovando. Como devo agir nessa situação: fazer o empréstimo ou deixar minhas outras dívidas acumularem durante um mês e assim sair do limite? Estou com meu nome restrito e preciso regularizar. Também quero ter uma boa educação com dinheiro. (Guilherme – Itabira/MG) Guilherme, seu problema é igual ao de vários leitores que me escrevem. Para buscar a melhor solução é importante tentar entender quais foram causas que te levaram até esta situação. Um processo de endividamento tem sua origem no desrespeito à principal lei das finanças pessoais: não se pode gastar mais do que se ganha. E o que leva uma pessoa a gastar mais do que ganha? Na maioria das vezes, a falta de controle financeiro. Ela não sabe nem como, nem onde gasta seu dinheiro. Acaba tendo uma falsa ideia dos gastos. Quanto se assusta, acabou o salário, mas ainda não acabaram as contas. Isto acaba gerando uma preocupação, mas logo é achada uma solução. Pode-se usar o limite do cheque especial (e hoje praticamente todas as contas bancárias dispõem de um limite). E isso é bem fácil. É só sacar o dinheiro. E uma promessa é feita: no mês seguinte, o valor usado será coberto. Chega o mês seguinte e a falta de controle faz com que, mais uma vez, seja necessário se utilizar parte do limite do cheque especial. E a história se repete, mês após mês. Com uma agravante: os juros que devem ser pagos mensalmente diminuem ainda mais a renda. Se a pessoa nada fizer, em um determinado momento, o limite do cheque especial não será mais suficiente. Novas linhas de crédito precisarão ser utilizadas. A dívida cresce como uma bola de neve. Para dar um basta nessa situação é preciso assumir o controle da sua vida financeira. Através de alguma ferramenta, que pode ser uma simples anotação ou planilha mais sofisticada, você deve levantar o seu orçamento doméstico. E caso você esteja gastando mais do que ganha, deverá diminuir os seus gastos ou encontrar uma forma de aumentar os ganhos. Com o controle da situação, você poderá buscar resolver o problema do cheque especial. Uma boa alternativa é tentar no banco alguma linha de crédito mais barata que o cheque especial (que é uma das mais caras formas de financiamento). Nesse caso, é importante verificar se o seu orçamento mensal tem espaço para o pagamento da prestação assumida. Se não tiver e mesmo assim você quiser assumir o compromisso, a única saída será abrir mão de alguma outra despesa. Você disse que o seu banco tem recusado a mudança de linha de crédito. Dois caminhos podem ser tomados. O primeiro é registrar uma reclamação no Procon ou outro órgão de defesa do consumidor. O segundo é tentar uma portabilidade de crédito com outra instituição bancária. Ela assumirá o seu débito no banco anterior através de uma nova linha de crédito. Mas não se esqueça de verificar se você conseguirá pagar a prestação. Depois de resolver essa situação, o mais importante será melhorar sua educação financeira e assim não permitir que o problema se repita novamente. Neste mês, continuo com a promoção do livro “Meu Dinheiro”, buscando que mais pessoas possam adquiri-lo. Os leitores interessados podem me enviar um e-mail que retorno com as indicações de como proceder. No livro, são discutidos temas importantes sobre finanças pessoais de uma forma que ajude os leitores a melhorar o seu relacionamento com o dinheiro. Mandem dúvidas e sugestões para o e-mail carloseduardo@harpiafinanceiro.com.br

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