Um dos últimos samurais

iG Minas Gerais |

Nissan/Divulgação
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O Brasil pode ser considerado a bola da vez entre os mercados em crescimento no mundo. Questões de conjectura política e econômica à parte, o acesso ao consumo de uma nova classe social vem mostrando o vertiginoso incremento na venda dos mais variados bens. E, claro, o automóvel é parte importante e de grande representatividade nesse contexto. Para não viajarmos dentro de um longo túnel do tempo, ficamos com dois recentes exemplos para ratificar nosso raciocínio. Primeiro, a Toyota, que, dois anos depois de descerrar a placa afixada em pedra fundamental, promoveu a inauguração da sua fábrica. Ainda pelas montadoras asiáticas, outro grande fabricante que chegou foi a Hyundai se instalou em Piracicaba (SP). Dito tudo isso acima, entramos no assunto da semana, que tem dentro dessa abordagem a chegada da japonesa Nissan, que acaba de inaugurar seu complexo industrial em Resende (RJ). No Brasil, a Nissan já se encontra há alguns anos, principalmente importando do México os carros do seu portfólio oferecido no mercado brasileiro. Mas, agora, a história é outra. Uma nova Nissan surge no país e, para mostrar a intenção em seguir crescendo e expandindo, faz uso do mesmo slogan de lançamento do sedã Sentra, em fins do ano passado: começar do zero. Tivemos a oportunidade de conhecer a fábrica poucos dias antes de sua inauguração. A disciplina, o empenho de seus colaboradores e o valor que eles atribuem à qualidade foi o que mais nos marcou. Mesmo em fim de obra, as instalações já demonstraram limpeza e organização. Fomos recebidos, primeiramente, pelo engenheiro Wesley Custódio, diretor responsável pela manufatura, ou seja, quem responde pela produção, do primeiro parafuso até o carro sair rodando da linha de montagem. Profissional experiente e competente com carreira de 25 anos na General Motors, chegou à Nissan há nove meses, depois de uma temporada de dois anos na China, ainda pela GM. Custódio nos levou a um tour dentro da fábrica e nos apresentou particularidades em que fica evidente o compromisso de imprimir o máximo de qualidade aos produtos ali fabricados. “Somos o que repetidamente fazemos”, uma espécie de mantra usado para que todos os funcionários entendam o quanto é importante enaltecer os valores. Na sequência, assumiu os trabalhos o jovem Tiago Castro, gerente de produto ou o “pai” do March, o primeiro veículo produzido na planta fluminense. Também engenheiro, Tiago começou a trabalhar na Nissan nos Estados Unidos, há 12 anos, e voltou ao Brasil, em 2011, para se dedicar com exclusividade ao New March, que deverá ser lançado ainda neste semestre. A Nissan, que investiu US$ 1,5 bilhão no projeto brasileiro, abre, com a fábrica, 2.000 postos de trabalho diretos e pretende, até 2016, chegar a 5% de participação no mercado nacional. No mesmo padrão das outras plantas Nissan espalhadas pelo mundo, a montadora estima a produção anual de 200 mil unidades. Primeiro o hatch, depois o sedã Versa, em projeto que, a princípio, iniciam suas vidas com 65% de nacionalização. O plano é ambicioso. Querem ser a principal montadora japonesa no Brasil nos próximos cinco anos. Se toda grande caminhada começa com o primeiro passo, esse já foi dado com o pé direito.

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