Foco nos mestres do choro

“Brasil Chora Waldir” homenageia dois importantes compositores brasileiros nesta quarta no Cine Theatro Brasil Vallourec

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Convidados. Lucas Telles é um dos músicos selecionados para participar do show que homenageia Waldir Azevedo e Waldir Silva
ELCIO PARAISO
Convidados. Lucas Telles é um dos músicos selecionados para participar do show que homenageia Waldir Azevedo e Waldir Silva

Waldir Azevedo (1923-1980) e Waldir Silva (1931-2013) foram músicos que mudaram a história do cavaquinho. Nesta quarta, quando se comemora o dia nacional do choro, os dois serão homenageados no show “Brasil Chora Waldir”, que acontece no Cine Theatro Brasil Vallourec.

Centrada nos temas destes compositores, a apresentação vai permitir ao público conhecer e recordar parte da trajetória musical de cada um deles. Para esse momento, foram convidados diversos artistas, como os solistas que tocam cavaquinho Zé Carlos, Renato Muringa, Lucas Ladeia e Dudu Braga, além dos cantores Babaya e Paulinho Pedra Azul. No acompanhamento, Lucas Telles, que sobe ao palco com o violão de sete cordas, e Hélio Pereira, com o bandolim, entre outros instrumentistas.

“A gente tentou equilibrar o repertório com criações mais conhecidas e outras que ficaram reservadas ao lado B dos discos desses músicos. Tanto Waldir Azevedo quanto Waldir Silva têm canções que ficaram muito populares, enquanto outras são menos lembradas”, diz Marcela Nunes, diretora musical do projeto.

Dudu Braga, cujo início da carreira ele diz ter sido muito marcado pelo estudo das obras de Azevedo e Silva, conta ter escolhido interpretar “Quando Chora Um Cavaquinho”, escrita pelo segundo. “Essa é uma música bastante difícil. Quase ninguém acha que foi composta por Silva porque ele ficou muito conhecido pelos boleros. Achei interessante mostrar, por outro lado, que ele também possui alguns choros de alto nível técnico”, ressalta Dudu Braga.

Ele acrescenta ter feito a opção pelo músico mineiro para evitar o foco frequentemente maior para as criações de Azevedo, que nasceu no Rio de Janeiro “Ele sempre teve mais visibilidade e é muito tocado. Vale lembrar, por exemplo, de ‘Brasileirinho’ e ‘Delicado’, que são de autoria dele. Por essa razão, eu aproveitei para chamar mais atenção para Silva”, afirma Braga.

O solista explica ser interessante creditar valor a ambos porque os percursos de cada, quando se pensa na contribuição para o instrumento em que se tornaram especialistas, são complementares.

“Azevedo foi precursor em colocar o cavaquinho em primeiro plano. Até o período em que começou a tocar, o instrumento cumpria a função de acompanhamento. Ele é sem dúvida uma lenda e sua composições são muito sofisticadas. Já Silva, após Azevedo ter dado esse salto, popularizou ainda mais o cavaquinho, transitando pelos boleros e outros ritmos”, compara Braga.

Marcela lembra que o compositor mineiro, nascido em Bom Despacho, foi inclusive um grande sucesso de vendas. “Silva é o cara que mais vendeu discos no Brasil tocando choro. E ele fez sucesso não só aqui, mas também na América Latina, pois saiu do choro básico e acrescentou outras referências”, pontua a diretora musical.

Agenda

O quê. Show “Brasil Chora Waldir”

Quando. Nesta quarta, às 20h30

Onde. Cine Theatro Brasil Vallourec (Rua dos Carijós, 258, Centro)

Quanto. R$10 (inteira) e R$ 5 (meia)

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